CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 02 de maio de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 02 de maio de 2025
Publicado em 03/05/2025 às 13:30

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


A sexta-feira amanheceu vestida de cinismo e café ralo. Pelas avenidas da nação, os carros buzinavam mais que os políticos em campanha e, em Aracaju, a Beira Mar, que já não era lá tão “maravilha” assim, decidiu virar metáfora: será interditada por um ano. Sim, um ano inteirinho para virar promessa de fluidez enquanto se afoga no caos. Parece até que a cidade resolveu praticar abstinência de paciência, fechando o caminho entre o Parque dos Cajueiros e o “Ville de Paris” — nome, aliás, que carrega uma ironia poética, pois ali só falta mesmo a Torre Eiffel e um pouco de vergonha na paisagem urbana.

Enquanto o povo serpenteia entre desvios e malabarismos com o tempo, a Previdência Social virou palco de mais um espetáculo grotesco. Carlos Lupi, o ministro do INSS, caiu. Escorregou em mensalidades fantasmas que sugavam aposentados como carrapatos burocráticos, e foi sugado pela própria incompetência. Descobriu-se que algumas associações estavam descontando até a alma dos velhinhos sem autorização — um vampirismo administrativo. A PF soprou a vela do teatrinho e revelou o truque: aposentadorias que não aposentam ninguém da dor de ser enganado.

E enquanto a cadeira do ministério ainda esfriava, um diamante negro brotou da Chapada Diamantina. Um tal de “Carbonado do Sérgio” foi encontrado, e dizem que é o maior do mundo. Ah, Brasil! País de contradições: enquanto uns escavam lama no INSS, outros acham tesouro no coração da Bahia. O garimpeiro virou manchete, mas quem dera garimpar honestidade no Planalto ou decência nos cofres públicos. Isso sim seria uma jazida histórica!

No Palácio Olímpio Campos, um novo ato do teatro político sergipano: a desembargadora Iolanda Guimarães assumiu como governadora interina. Um Estado governado temporariamente por quem julga. Que curioso! O Judiciário sentando-se na cadeira do Executivo — um casamento de conveniência institucional. Será que vai sobrar para o Legislativo a função de servir cafezinho?

Enquanto isso, o mundo chora em Kharkiv, onde drones russos ferem, queimam e assustam. As chamas de um prédio atingido aquecem a frieza das manchetes, mas não o coração dos diplomatas que seguem trocando discursos como figurinhas raras. A guerra virou eco — distante, abafada, porém viva, ferindo gente como a gente.

E se nada disso te der sorte, tem a Mega-Sena com R$ 11 milhões piscando para sua esperança. Apostas até às 19h, e a promessa de uma vida nova — essa, ao contrário do INSS, não exige contribuição mensal, só fé estatística e um pouco de ilusão.

E assim termina mais um dia no teatro tropical do Brasil. Um país onde a esperança teima em brotar entre crateras no asfalto, entre boletos sem nome e aposentadorias sem paz.

O trânsito fecha, o ministro cai, o diamante brilha, a guerra grita, e o povo… continua.

Porque, como diz o poeta urbano:
“Entre a curva da Beira Mar e o corte do INSS,
navega um povo que reza, sonha, tropeça, mas não arrefece.”