CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de abril de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No calendário da eternidade, o dia 21 de abril de 2025 foi uma página escrita com tintas de saudade, lágrimas simbólicas e reflexões cortantes. Tiradentes, o mártir da liberdade, resolveu dividir sua data com outro gigante: Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco – o homem que ousou ser santo com sandálias nos pés e compaixão no coração.
A alma que partiu de Roma
O céu amanheceu com um tom pastel de silêncio. As nuvens, vestidas de luto, se ajoelharam em reverência. Morreu o Papa do povo, o pastor que trocou o trono de ouro por um banco de madeira, que preferia um abraço a um decreto. Francisco não foi apenas o primeiro papa latino-americano. Foi o primeiro a escancarar as janelas do Vaticano para que entrasse um pouco de oxigênio humano.
Morreu de AVC e insuficiência cardíaca, disseram os boletins médicos. Mas o mundo sabe: morreu de amor acumulado. Amor pelos pobres, pelos refugiados, pelos que não cabem na moldura moral de certos cardeais empoados. Seu coração era grande demais para o peito, sua fé simples demais para os muros dogmáticos.
Na Praça de São Pedro, até os pombos bateram asas com pesar. Em Sergipe, os sinos dobraram com pontualidade litúrgica. Era o toque do adeus, mas também da esperança — porque Francisco, mesmo morto, ainda incomoda vivos que vivem como se fossem pedra.
Ivan Valença, o jornalista que filmava palavras
No mesmo palco da segunda-feira, as cortinas também se fecharam para Ivan Valença. Um jornalista que não escrevia: ele desenhava ideias. Crítico de cinema, sim, mas também ator de bastidores, diretor de ética e produtor de consciência. Aracaju perde um farol, mas a história ganha um parágrafo a mais na galeria dos que não se curvaram à mediocridade.
Ivan era daqueles que não usavam megafone, mas sussurravam verdades com elegância. Ensinava mais com uma crítica de Fellini do que muitos cursos universitários. Agora, que ele mesmo virou filme da eternidade .
Enquanto isso, nas sacadas do Supremo…
No campo da toga e do tribunal, Barroso foi à tribuna da razão para rebater a The Economist. Segundo a revista inglesa, Alexandre de Moraes teria “poderes excessivos”. Ah, esses britânicos… sempre tão preocupados com os outros enquanto a monarquia deles ainda tem rei que fala com plantas.
Barroso, qual cavaleiro togado, vestiu-se de retórica e bradou: “Temos democracia plena!” A frase ecoou como um trovão.
Reflexão Final: Entre mártires e milagres
Tiradentes morreu pela liberdade. Francisco viveu para libertar. Ivan escreveu para iluminar. Já nós, seguimos por aqui, zapeando entre fake news e boletins , tentando manter a dignidade em um mundo de poucos heróis .
Mas ainda há esperança.
Ela sussurra entre os sinos das igrejas, nas páginas dos jornais que ainda ousam investigar, nas vozes dos professores que não se calam, nos fiéis que rezam com os pés no barro. Porque enquanto houver memória e metáfora, há também resistência. E como diria Francisco, com aquele sorriso que cabe na eternidade:
“Deus não se cansa de perdoar. Somos nós que nos cansamos de pedir perdão.”
Descansem em paz, Papa do povo. Descanse em paz, Ivan das palavras. E que Tiradentes, do alto , lhes receba com a medalha de honra.




