CRÔNICA

Crônica – “Francisco, o Papa dos Pobres, Agora no Céu”

Crônica – “Francisco, o Papa dos Pobres, Agora no Céu”
Publicado em 21/04/2025 às 18:49

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

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Na manhã serena de um mundo atribulado, o céu resolveu abrir suas portas com mais brilho. O sino da eternidade repicou de mansinho, anunciando que o pastor das periferias, o guardião dos invisíveis, o jardineiro da paz e o papa dos pés descalços, havia sido chamado ao encontro do Criador.

Morreu o Papa Francisco. Mas não, não foi uma morte qualquer. Foi uma espécie de semeadura celeste. O chão da Terra, antes marcado por pegadas firmes de um pontífice latino-americano que falava com o coração e ouvia com a alma, agora floresce de saudade, fé e memória.

Primeiro papa das Américas. O argentino que trocou os tapetes vermelhos por calçadas cheias de poeira, que preferia o metrô ao luxo do papamóvel, que lavava os pés de presidiários e beijava as feridas do mundo. Um papa que não reinava – caminhava. Que não se colocava no altar – ajoelhava. Que não julgava – acolhia.

Francisco era a própria tradução da ternura. Quando falava, parecia que o Espírito Santo soprava poesia por entre seus dentes. Sua homilia era a vida, sua missa era o gesto, sua batina era feita de simplicidade e coragem.

Disse “não” ao clericalismo, abraçou a Amazônia, defendeu os migrantes, chamou os jovens ao protagonismo, estendeu a mão aos LGBTQIA+, enfrentou os escândalos da Igreja com firmeza e compaixão. E sempre com aquele sorriso humilde de quem sabe que o verdadeiro Reino de Deus começa com um prato de comida e termina com um abraço.

Hoje, o Vaticano não chora sozinho. Choram os barracos de lata, os presídios esquecidos, os hospitais de campanha, os campos de refugiados, os meninos de rua e os avôs das vilas argentinas que ainda lembram de Jorge Mario Bergoglio andando com sua pastinha na mão e sua alma gigante.

Francisco agora repousa no céu. Certamente foi recebido por São Francisco de Assis com um “hermano” nos lábios e um beijo de gratidão no coração. O papa que escolheu o nome do santo dos animais agora corre pelos jardins celestiais, provavelmente preocupado se os anjos não estão gastando muito com ostentação.

A Terra perdeu um papa. O Céu ganhou um Francisco.

E nós, que ficamos, ganhamos o dever de continuar seu evangelho feito de ternura, justiça e pão.

Descanse em paz, Papa Francisco. Seu legado não morre – floresce.