CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de abril de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de abril de 2025
Publicado em 20/04/2025 às 15:30

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Era sábado de Aleluia, e as esperanças ressuscitavam aos poucos entre ovos de chocolate inflacionados e corações que ainda acreditam que o amor cabe num embrulho dourado. No calendário dos esquecidos, também era 19 de abril — Dia dos Povos Indígenas, aquele lembrete anual de que a floresta tem nome, sobrenome e ancestralidade. Enquanto muitos buscavam coelhos mágicos, alguns poucos se lembravam que os verdadeiros guardiões da terra andam descalços, com penas na cabeça e sabedoria nos olhos.

Em Aracaju, o povo queimou Judas com gosto, como se o boneco fosse responsável pela inflação, pelos boletos e pelos políticos de duas caras — que, convenhamos, mereciam bonecos em escala industrial. A tradição resistiu como palmeira ao vento, balançando, mas firme no seu papel catártico de vingança simbólica.

Sergipe, a joia do Nordeste, viu suas praias se encherem de turistas com o mesmo entusiasmo de formigas em cima de melado. Vieram de todos os cantos, com suas câmeras, suas caipirinhas e suas malas de promessas. O feriadão virou um festival de selfies com o mar, enquanto o sol, generoso, vendia bronze por metro quadrado.

Já o chocolate, esse alquimista dos afetos, ficou amargo no bolso do brasileiro. O preço subiu mais rápido que fofoca em grupo de família. Muitos trocaram ovos por barras, barras por bombons, bombons por promessas de que “ano que vem a gente compra melhor”. E assim, Jesus ressuscitou, mas o poder de compra continuou crucificado.

Enquanto isso, o Brasil indígena, ancestral, sagrado e ferido, dava um grito silencioso nas entrelinhas da notícia. Em Caraguatatuba, um artista resgatava o que o Brasil insiste em apagar: um acervo com mais de 1.800 peças, de 59 etnias, lembrando ao país que antes da cruz, da espada e da coroa, havia o arco, o canto e o pajé. No Dia dos Povos Indígenas, o Brasil fingia que se importava, mas era só mais um post, mais uma data, mais um emoji de pena colorida.

Na China, Hugo Calderano fazia história com a leveza de quem carrega o peso de ser exceção. Brasileiro na final da Copa do Mundo de Tênis de Mesa — um país do futebol e do jeitinho — vencendo na disciplina da bolinha veloz. Um herói sem capa, sem tatuagem de superação no Instagram, apenas com raquete, foco e suor. Domingo será a final, mas a vitória já mora no coração de quem ainda acredita no improvável.

E enquanto o mundo girava entre raquetes, páscoas e florestas esquecidas, os EUA e o Irã sentaram-se — pasme — para conversar. Entre um “não confiamos em vocês” e um “mas queremos paz”, os dois países decidiram trocar informações sobre o programa nuclear, como dois vizinhos que se odeiam, mas topam dividir o cachorro para não chamar a polícia. Ironia fina: no mundo onde a palavra vale menos que um ovo de Páscoa, dois países armados até os dentes tentam se entender com diplomacia de porcelana.

Ah, e antes que me esqueça: se você não resolveu suas pendências com a Justiça Eleitoral, corre. O prazo é até 19 de maio. Porque, enquanto o mundo tenta se salvar com chocolate, raquete e diálogo nuclear, aqui no Brasil, se você não votar, perde até o CPF. A democracia, por aqui, é como o coelhinho da Páscoa: aparece de quatro em quatro anos e cobra caro por isso.

E assim seguimos. Com o coração em festa, a memória em luto, o voto ameaçado, a natureza esquecida e o Brasil… sempre esse país tropical, abençoado por Deus, mas que muitos não lembram nem do último Dia dos Povos Originários.

Assina, entre chocolates e cutucões,
o cronista que ainda acredita nas metáforas e na esperança,
Antonio Glauber /
Japaratuba-SE
Boa leitura meu povo !