CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 14 de abril de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
________________________________________________________________________________________________________________
Abril caminha com sandálias de algodão sobre o asfalto quente de um Brasil que insiste em sobreviver a si mesmo. O dia 14 acordou com um cafezinho coado nas entrelinhas das manchetes e um gole de ironia na xícara da esperança.
Comecemos com um brinde ao Sebrae-SE, que abriu inscrições para Agentes Locais de Inovação com bolsas de até R$ 6.500. Em tempos em que a palavra “bolsa” só remete ao rombo, ao rombo do rombo, ou à bolsa da Viúva, essa notícia parece um bálsamo entre tantos boletins de boletos vencidos. O agente inovador será o jardineiro da produtividade em terrenos áridos, o regador de ideias em roças de desânimo. Que venham com suas metodologias ágeis, suas sementes tecnológicas e suas enxadas de empatia, pois o sertão, minha gente, ainda sonha em virar Silicon Valley da Caatinga.
Enquanto o Sebrae semeia inovação, uma coruja queimada pelas tempestades da vida foi resgatada. Um raio tentou apagar a ave da sabedoria do mapa, mas ela, mesmo chamuscada, resistiu. Tentou se defender, bicou o medo, e precisou dos bombeiros para encontrar refúgio. Nessa coruja, talvez more um símbolo: o Brasil das ideias, machucado pelas tempestades políticas, tentando voar mesmo com uma asa tostada. Quem sabe ela venha pousar na janela do Congresso e sussurrar sensatez nos ouvidos surdos do poder?
Falando em poder, o concurso da Saúde de Sergipe foi prorrogado. São 878 vagas num sistema que, muitas vezes, vive de soro e boas intenções. Em cada inscrição, um sonho de estabilidade, uma esperança de que cuidar do outro possa, quem sabe, virar carreira e não castigo. O problema é que, muitas vezes, o enfermeiro adoece, o médico sangra e o técnico chora — tudo isso ao som de um aparelho de pressão que marca mais indignação que pressão arterial.
E por falar em pressão, o Imposto de Renda finalmente teve um respiro: agora quem ganha até dois salários mínimos não precisa mais pagar. Era o mínimo do mínimo que se esperava — o governo parou de sugar quem mal consegue comprar o açúcar. Mas cuidado: nem tudo que é isenção é redenção. O Estado ainda mora no bolso do povo e, muitas vezes, sai sem bater à porta.
Agora passemos ao quadro de arte moderna chamado “Celular Seguro”: pessoas que compraram celulares roubados e, ao receberem o alerta, se apresentaram voluntariamente à polícia. Um milagre contemporâneo? Um caso raro de culpa digital? Ou seria o medo do CPF sujo mais forte que a ética? Fato é que os celulares voltaram aos seus donos e os compradores à reflexão. Talvez a tecnologia esteja salvando a moral onde a educação falhou. Aleluia, algoritmo!
E para fechar com um acorde de política internacional, o dólar caiu — assim como Trump, que deu marcha a ré no tarifaço. Depois de jogar gasolina na fogueira comercial com a China, resolveu tirar os eletrônicos da lista do churrasco econômico. Laptops, celulares e afins respiraram. E o mundo também. No teatro do absurdo de Trump, cada decisão parece um improviso. Ele acende o fósforo, corre, apaga, grita “peguei vocês!” e segue com seu cabelo amarelo de palhaço e suas promessas de magnata. Um presidente que mais parece personagem de série cômica mal roteirizada.
E assim encerramos a crônica deste dia 14, entre corujas feridas, agentes da inovação, celulares falantes e um imposto que, por um instante, parou de morder. Enquanto isso, Japaratuba segue com seu sol de resistência, seu povo de fibra e suas manhãs cheias de fé.
Pois a vida é isso: um concurso prorrogado, uma asa chamuscada, uma tarifa recuada, e o coração da gente tentando, a cada manchete, seguir batendo — mesmo que o mundo insista em esquecer onde fica o compasso.
Crônica do Professor Antonio Glauber
14 de abril de 2025 – direto das veredas metafóricas de Japaratuba-SE




