CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 08 de abril de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
08 de abril de 2025 uma Terça-feira com gosto de segunda mal resolvida e cara de sexta que nunca chega. O Brasil acordou ao som de um apito que jamais voltará a soar nos gramados: Manga, o goleiro dos tempos em que os deuses do futebol ainda desciam aos estádios, pendurou as luvas da existência. Partiu aos 87, deixando saudade, defesas históricas e um vazio que nem o VAR consegue explicar.
Manga foi muralha, foi vento que soprava para longe os chutes dos adversários. Foi poesia sob as traves, metáfora viva do impossível que se fazia defesa. Agora, virou estrela na arquibancada do céu, onde deve estar fechando o gol contra os ataques da saudade. Lá de cima, talvez ele assista ao jogo da Terra e se espante com o placar da vida: corrupção 5 x 0 honestidade, e a bola, coitada, sempre nas mãos erradas.
E por falar em mãos erradas, um falso funcionário do BNDES resolveu brincar de Robin Hood ao contrário. Prometeu empréstimo de R$ 5 milhões, mas o único saque que realizou foi da ingenuidade alheia. Roubou R$ 200 mil disfarçado de “comissão”, tudo isso entre uma pregação e outra. O lobo estava fantasiado de pastor, e o altar virou balcão de estelionato. Que o dízimo da justiça seja cobrado com juros e correção moral.
Enquanto isso, em Aracaju, o elevador da Câmara de Vereadores resolveu fazer jus ao simbolismo da política: despencou. Duas pessoas feridas, e a metáfora, perfeita — quando os representantes não sobem o nível, os equipamentos descem. Talvez o elevador tenha lido os projetos de lei e decidiu que era hora de cair na real.
No mercado financeiro, o dólar subiu com a elegância de um balão desgovernado: R$ 5,99, quase o preço de um pastel gourmet em feira hipster. O Ibovespa despencou como elevador de Aracaju, e as bolsas asiáticas, num efeito dominó, foram ao chão mais rápido que promessas em época de eleição. Os EUA, com seu novo hobby de tarifas contra a China, jogam xadrez com peças de dinamite e esperam que o tabuleiro não exploda.
Enquanto isso, na Venezuela, o ditador Maduro, entre um decreto e outro, assinou mais uma emergência econômica — ou seria emergência emocional? Cada assinatura dele é como uma tempestade que promete salvar a lavoura com raios. A economia venezuelana virou um barco com remos partidos, e Maduro segue achando que decretar é remar. Só esqueceu que contra a correnteza do caos, não se navega com papel timbrado.
O mundo gira, mas em abril ele tropeça, cai e tenta levantar com dignidade, mesmo que as pernas estejam bambas. Entre heróis que se vão, pilantras que se disfarçam, moedas que sobem e governos que despencam, seguimos, nós, os espectadores dessa tragicomédia chamada cotidiano.
Hoje, Manga nos ensinou que mesmo na hora de partir é possível deixar uma última defesa — contra o esquecimento. Que sua vida inspire os de cá a manterem o jogo limpo, mesmo quando o placar da esperança parecer desfavorável.
E que Deus, se for torcedor, tenha recebido Manga com uma faixa de campeão na eternidade.




