CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de abril de 2025

As verdades nas entrelinhas das notícias do dia da mentira.

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de abril de 2025
Publicado em 02/04/2025 às 8:47

As notícias do dia 01 de abril de 2025

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Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


“Mentira tem perna curta, mas verdade de patinete elétrico também tropeça.”

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Hoje é 1º de abril, o Dia da Mentira, mas as manchetes vieram vestidas de terno, gravata e com CPF autenticado. No teatro tragicômico da realidade brasileira, até a piada parece tímida perto das notícias que se apresentam com peito estufado e cara de quem diz: “não sou meme, sou manchete!”.

Comecemos com a nova moda em Aracaju: os patinetes elétricos. Eles chegaram como quem promete liberdade com vento na cara, mas bastaram duas semanas para mais de 80 pilotos serem “despatinetados” por mau uso. Sim, no Brasil até a mobilidade urbana precisa ser vigiada como criança arteira na sala de porcelanas. O patinete, símbolo da modernidade urbana, virou burro sem freio nas mãos de quem confunde ciclovia com pista de Fórmula 1. E a SMTT já virou SAMU da civilidade, tentando salvar a cidade do caos sobre duas rodinhas e meia-noção.

Enquanto uns andam sobre rodas, a prefeita de Aracaju resolveu andar sobre nuvens — elétricas. Trinta ônibus movidos a bateria estão a caminho da capital, como se fossem os cavalos brancos da esperança ecológica. Mas será que teremos energia suficiente pra carregar tantos sonhos? Ou os coletivos vão andar como as promessas políticas: uma aceleradinha e logo estacionam? A cidade agradece a iniciativa, mas já se pergunta em silêncio: “Será que vai dar certo ou vai virar uma Kombi gourmet do colapso?”.

E por falar em dinheiro, Sergipe comemorou um crescimento de quase 20% nas receitas em 2024. Milagre? Não. Milagre é esse dinheiro virar bem-estar social de verdade. A arrecadação subiu como foguete de São João, mas será que desce como chuva de investimentos nas escolas, na saúde e nos ônibus — mesmo que elétricos? O povo, esse contador de moedas, segue esperando que as cifras passem do slide de PowerPoint para o pão na mesa.

No terminal pesqueiro de Aracaju, o que era cais virou caso. Após condenação judicial, os pescadores ganharam um novo espaço provisório — como quem perde o amor de uma vida e se consola com um affair de aluguel. O mar continua o mesmo, salgado e generoso, mas a política tem se mostrado mais doce com contratos e mais amarga com compromissos. O peixe? Esse talvez esteja mais seguro nas redes sociais do que nas redes de pesca.

No Congresso, uma comissão de inteligência foi instalada em meio à denúncia de espionagem da Abin contra o Paraguai. A ironia? Instalam inteligência justamente onde o bom senso foi exonerado há tempos. Criaram a CCAI, mas se esqueceram de convocar o cérebro coletivo. E entre hackers, grampos e desconfianças, o que resta ao povo é torcer pra que não grampeiem o Wi-Fi da esperança.

E o Partido Liberal? Tentou parar a votação da MP contra queimadas, mas teve adesão menor do que rifa de liquidificador usado. Tumultuaram as comissões, mas na plenária só ouviram o eco do próprio desespero. Tentam anistiar os golpistas do 8 de janeiro como quem tenta apagar incêndio com gasolina ideológica. Mas o tempo, esse velho justiceiro, anda com balde na mão e a paciência dos ventos.

Nos EUA, dois bilionários disputaram a eleição para a Suprema Corte como se fosse um UFC jurídico. Musk e Soros, titãs do capitalismo, financiaram a eleição mais cara da história — 90 milhões de dólares jogados como confete no tapete vermelho da toga. Enquanto isso, na quebrada, o cidadão comum mal consegue eleger o síndico do prédio sem treta no grupo do WhatsApp.

E no tabuleiro global, a China cerca Taiwan mais uma vez com exercícios militares. Os EUA dizem que a ação é agressiva, mas o planeta inteiro já se acostumou com o barulho das botas marchando enquanto a paz se esconde no porão da diplomacia. O mundo, essa roleta russa sem pausa, gira entre manobras de guerra e discursos de paz enlatada.


Hoje é o Dia da Mentira, mas o Brasil continua sendo a peça mais surreal de um teatro onde as verdades caminham de patinete, tropeçam nos buracos da política e, quando caem, ainda culpam o vento.

As notícias, com toda sua poesia trágica, nos dizem que a mentira pode ter data, mas a verdade — ah, a verdade! — essa anda sendo empurrada em carrinhos de rolimã, esperando que algum dia, quem sabe, a cidadania acelere, o bom senso volte a pilotar e a justiça pare de andar a pé.

Enquanto isso, seguimos: cronistas, professores, cidadãos — tropeçando nas manchetes, rindo pra não chorar e esperando que, pelo menos, o próximo 1º de abril venha com menos verdades tristes e mais mentiras inofensivas. Daquelas que fazem rir, não daquelas que fazem o país sangrar.


Por hoje é só, Brasil.
E cuidado com o patinete: ele é elétrico, mas a ignorância é a verdadeira faísca que incendeia a cidade.