CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de março de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 30 de março de 2025
Publicado em 31/03/2025 às 5:30

As notícias do dia 30 de março de 2025

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Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Era 30 de março de 2025. Um domingo com gosto de segunda-feira, com cheiro de imposto vencendo, tremores geográficos e emocionais, boletos correndo atrás de contribuintes como credores em festa de São João: animados, barulhentos e, claro, exigentes.

Em Sergipe, o menor estado, com peito de gigante e orgulho de cangaço, veio a notícia que deixou muitos boquiabertos e outros apenas de boca tremendo: registramos o segundo maior salário médio de admissão do país!. R$ 2.304,52! Só perdemos para São Paulo. “Olha aí, Nordeste em alta!”, diria uma senhora do interior, enquanto prepara um cuscuz sonhando com filé mignon. Mas que não se iludam os olhos desavisados: esse salário é a miragem no deserto da desigualdade. É o cavalo branco de um rei pobre. É perfume francês em estrada de barro. Porque se o salário sobe, mas o custo de vida pula corda com ele, quem está realmente ganhando o jogo?

Mas que seja. Brindemos com café coado e pão com margarina: Sergipe na vice-liderança do pódio da admissão. O problema é que o mesmo trabalhador que se admitiu no Caged, no fim do mês, já foi demitido pelas contas. É como se a carteira assinada viesse com validade de iogurte fora da geladeira: azeda em dois tempos.

No mesmo dia, os contribuintes corriam feito maratonistas sem preparo, para pagar IPVA só tem até o dia 31 para efetuar o pagamento com desconto. Um desconto que mais parece brinde de bingo de igreja: vem escrito “promoção”, mas você ainda sai perdendo. Quem não pagar hoje, paga amanhã, e quem pagar amanhã, paga chorando. O leão do imposto não ruge, ele morde – e não solta. Tem dente afiado e faro apurado. Ah, Brasil, país onde até o cofre é vaidoso: gosta de ser alimentado com pontualidade britânica.

E como não mencionar o programa Pé-de-Meia Licenciaturas? Nome bonito, poético, com cheiro de esperança. O governo quer formar professores. Amém! Um incentivo mensal de R$ 1.050! Aleluia! Mas convenhamos: se é “pé-de-meia”, é porque a perna ainda está descoberta. O valor cobre o ônibus até a faculdade, o lanche no intervalo e uma xerox perdida. O resto, o estudante cobre com fé e cafeína. Formação de professor no Brasil é como plantar roseira em terreno seco: brota, mas exige lágrima e persistência.

Enquanto isso, do outro lado do mundo, a terra se contorceu em Tonga. Um terremoto de magnitude 7,0 que nos lembra que o planeta respira – e às vezes, sufoca. Dias antes, Mianmar chorava mais de 1,7 mil mortos por outro tremor. A Terra grita, mas o homem insiste em responder com mais fumaça e menos escuta. Somos surdos diante do choro das placas tectônicas. Somos pequenos diante da natureza, embora nos achemos deuses diante do espelho.

Hoje, nesta crônica que mistura poeira e poesia, deixo a pergunta que insiste em ecoar como um sismo no peito: o que nos abala mais — os terremotos que vêm de dentro da Terra ou os que nascem das desigualdades da superfície?