CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 27 de março de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 27 de março de 2025
Publicado em 28/03/2025 às 1:39

( Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE )

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Se um viajante do futuro caísse de paraquedas neste 27 de março de 2025, ele certamente pensaria que a Terra é um grande circo, onde os palhaços choram e os mágicos fazem desaparecer o que realmente importa. Mas, como dizem os otimistas, o show não pode parar.

O Ministro da Casa Civil, Rui Costa, esteve em Sergipe para discutir o Novo PAC. Sim, mais um PAC, porque a obra pública no Brasil tem um ciclo de vida peculiar: começa como promessa, vira maquete, ganha verbas, some no meio do caminho e, se tudo der certo, ressurge anos depois como um esqueleto de concreto sendo reformado. Mas sejamos justos: há avanços. Se duvidar, os sítios arqueológicos de Sergipe, que têm milhares de anos, um dia ainda vão virar canteiro de obras do PAC.

Aliás, com 280 sítios arqueológicos espalhados pelo estado, talvez fosse mais fácil chamar Indiana Jones para liderar as escavações do que esperar que as obras públicas saiam do papel. Mas há algo de poético nisso: escavamos o passado enquanto tentamos construir um futuro que teima em permanecer inacabado.

Lula indicou Guido Mantega para o Conselho Fiscal da Eletrobras. O Brasil é um país onde o jogo das cadeiras não para nunca – e, curiosamente, os mesmos jogadores continuam sentados, década após década. Mantega, que já foi czar da economia, agora fiscaliza contas.

Eletrobras, PAC, Mantega… Tudo soa como um grande déjà vu. É como assistir a uma novela repetida, mas com novos figurinos. O problema é que, nesse roteiro, quem sempre paga o ingresso é o povo, e o ingresso está cada vez mais caro.

Falando em ingressos caros, o IPCA-15 subiu 0,64% em março. Alimentos e combustíveis foram os principais vilões. Nada como começar o dia com aquele cheiro de café e a notícia de que o feijão continua subindo mais do que foguete da SpaceX. Se continuar assim, em breve a cesta básica será item de luxo e a única dieta acessível será a do jejum intermitente – mas não por escolha.

O mais curioso é que, quando a inflação sobe, os especialistas aparecem na TV para explicar tudo com gráficos e termos técnicos, como se o brasileiro precisasse de teorias para sentir no bolso o peso do tomate a R$ 15 o quilo. Enquanto isso, os governantes juram que está tudo sob controle – talvez porque eles mesmos nunca tenham precisado parcelar a compra de um botijão de gás.

Na Argentina, um avião ficou quase uma hora dando voltas no céu porque não havia ninguém na torre de controle. Uma imagem belíssima da América Latina: uma aeronave perdida no ar, um aeroporto sem comando e um governo prometendo investigar. Se isso não é metáfora para a política, eu não sei o que é.

Talvez o piloto devesse ter aproveitado o tempo para fazer um discurso motivacional aos passageiros: “Senhoras e senhores, enquanto sobrevoamos o vazio da burocracia, reflitam sobre a vida, pois aqui embaixo não há quem nos guie”. Seria um momento filosófico inesquecível.

Enquanto uns flutuam no céu, outros caem sob a lâmina da violência. Em Amsterdã, cinco pessoas ficaram feridas em um esfaqueamento. A violência, esse vírus que não respeita fronteiras, continua sua jornada sem precisar de passaporte. O ser humano, que já dominou o fogo, a roda e a inteligência artificial, ainda não aprendeu a conviver sem a lâmina da intolerância.

Talvez seja hora de atualizar os currículos escolares e ensinar não apenas matemática e gramática, mas também empatia, paciência e o básico do convívio humano. Porque, no final, o maior investimento que podemos fazer não é em concreto, mas na construção de uma sociedade menos esfaqueada – no bolso e na alma.

E assim seguimos…

E assim seguimos, caros leitores, neste Brasil onde as obras sempre começam, mas nem sempre terminam; onde os mesmos nomes ocupam os mesmos cargos, só trocando a plaquinha da porta; onde os preços sobem, mas os salários fazem greve e um mundo onde aviões vagam sem rumo e a violência, infelizmente, sempre encontra o seu destino.

Mas não percamos a esperança. Se há algo que nos diferencia dos arqueólogos que escavam as ruínas do passado, é que nós ainda sonhamos com um futuro melhor. Que ele não demore tanto a chegar – e que, quando chegar, não esteja em obras.