CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de março de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de março de 2025
Publicado em 22/03/2025 às 8:58

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


No palco de um Brasil que teima em misturar comédia, tragédia, drama político e novela mexicana, o dia 21 de março de 2025 amanheceu como quem acorda atrasado e tropeça no próprio chinelo. E lá vamos nós: entre sol ardente, seca persistente, justiça dançante e convocação de última hora, seguimos equilibrando o guarda-chuva num vendaval.

O TRE-SE, com seu martelo de juízo e toga de veludo, bateu mais forte do que batida de porta em briga de casal. Cassou Ícaro de Valmir, como quem arranca um retrato da parede da sala. O deputado, que voava em Brasília feito pássaro em rota de influência, agora terá que bater as asas em direção ao TSE, última esperança de ninho político. A Justiça, quando quer, vira catavento: gira, gira e, às vezes, aponta para o lugar certo. Outras vezes, apenas gira.

Enquanto isso, Sergipe sorri com os olhos marejados. A seca, essa senhora de mãos rachadas e lábios esturricados, parece dar trégua, mas ainda ronda como ex que insiste em mandar mensagem na madrugada. A esperança brota tímida, feito capim depois da queimada, mas o sertanejo, calejado e sábio, sabe que promessa de chuva em relatório nem sempre vira goteira no telhado.

E por falar em promessas, o STF se debruça sobre um cálculo que há anos é feito com régua torta e borracha suja: a correção do FGTS. Querem saber se a conta, feita desde 1988, será reescrita com dignidade ou se o trabalhador continuará sendo poeta que escreve no caderno do patrão com tinta invisível. A luta é por algo simples: que o dinheiro guardado valha o mesmo que a inflação levou. É pedir demais? Ou o Brasil só corrige o passado quando interessa aos de cima?

Mas o balcão da ironia estava aberto nesta sexta-feira: empréstimo consignado para CLT sem regras claras. É o mesmo que dar um carro sem volante para quem precisa dirigir numa estrada de curva. O trabalhador vai pegar emprestado e, se piscar, já estará devendo até a alma do décimo terceiro. Sem regulamentação, o risco é o mesmo de fazer rapel com fio dental.

E do outro lado do mundo, enquanto o sol torra nossos telhados, o Exército do Sudão resolveu tomar o palácio presidencial como quem toma bombom de criança. A guerra dança com a vida no compasso dos canhões. Um toma, o outro diz que não perdeu. Numa coreografia triste e sangrenta, o palácio vira ringue e o povo, espectador de uma peça onde aplauso é silêncio e lágrimas são cenário.

E como não poderia faltar o futebol, essa religião laica que nos permite sonhar enquanto o país afunda no VAR da realidade, Dorival Júnior convocou reforços para o clássico contra a Argentina. Um quarteto novo entra em campo enquanto outros saem machucados, suspensos ou protocolados. O Brasil sempre foi craque em improvisar elenco — seja em Brasília, seja na zaga.

No fim, entre seca que recua, deputado que cai, guerra que insiste e bola que rola, o país continua seu jogo. Um jogo onde o juiz apita quando quer, a torcida vaiando ou aplaudindo conforme o preço da gasolina, e o placar… ah, o placar, sempre favorecendo os donos do estádio.

Mas a crônica não termina com ponto final. Ela termina com vírgula, porque o amanhã já cochicha sua próxima manchete. E nós, como bons brasileiros, seguimos: secando a água da esperança com pano de chão da resiliência, esperando que o juiz de alguma instância, divina ou não, marque finalmente um pênalti a nosso favor.


Na arquibancada da vida, seguimos torcendo, protestando e vivendo. Porque o Brasil, meus caros, não é para amadores. É para poetas com armadura.