CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 17 de março de 2025

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 17 de março de 2025
Publicado em 18/03/2025 às 1:29

Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Aracaju: 170 anos e o bolo de velas acesas

Ah, Aracaju, 170 primaveras sopradas ao vento, uma senhora elegante que, mesmo com rugas nas avenidas e buracos na pele do asfalto, ainda se enfeita para o baile. A cidade acordou com os sinos da Igreja Santo Antônio repicando felicitações e, como uma matriarca atarefada, tratou logo de correr: a Corrida do Fogo Simbólico acendeu o dia, lembrando a todos que, apesar dos tempos difíceis, a chama ainda queima.

Mas no bairro 17 de Março, enquanto a cidade celebrava, a Maternidade Lourdes Nogueira se via entre a cruz e a cesárea. Superlotação, salários atrasados, bebês nascendo entre a esperança e o descaso. O que era para ser um berço se tornou um campo de batalha. E quem luta? Os médicos, os enfermeiros, as mães… e o silêncio dos gestores, que ecoa mais alto que qualquer choro de recém-nascido.


Imposto de Renda: o leão faminto e o bolso do trabalhador

Enquanto a cidade apaga as velas, o leão do Imposto de Renda rosna sua fome. Começou a temporada de caça: de 17 de março a 30 de maio, quem quiser dormir em paz que declare seus pecados financeiros. O programa já está disponível para download – fácil, prático e tão amigável quanto um cobrador de dívidas. Afinal, no jogo da arrecadação, o contribuinte é sempre o pião e o governo, o tabuleiro.


Dólar em queda e o voo sem asas da economia

O dólar resolveu dar uma trégua e recuou para R$ 5,68, enquanto a bolsa flutuou mais alto, ultrapassando os 131 mil pontos. A economia brasileira, essa eterna montanha-russa, vive entre picos de otimismo e vales de realidade. Quem comemora? Os especuladores. Quem sente no bolso? O povo, que continua a pagar caro pelo pão, pelo gás e pela esperança.


Honduras e o voo interrompido: metáforas de um mundo em queda

O céu de Honduras testemunhou uma tragédia: um avião, que deveria rasgar os céus em liberdade, tombou ao mar, levando vidas e sonhos para as profundezas. Um epitáfio aquático para a fragilidade humana. A queda de um avião não é só um acidente; é um aviso, um lamento, um espelho dos tempos incertos em que vivemos.

E do outro lado do mundo, nos EUA, a deportação de venezuelanos se tornou um espetáculo cruel. Centenas de pessoas foram empurradas para fora da terra da “liberdade”, como se fossem números em um balanço contábil. O presidente de El Salvador, Bukele, assistiu de camarote, enquanto a justiça americana tropeçava nos próprios paradoxos. Um país que prega a liberdade, mas expulsa quem corre atrás dela.


E assim seguimos…

O mundo dança um tango trágico entre avanços e retrocessos. Em Aracaju, velas se acendem em comemoração, enquanto em maternidades se apagam sonhos. O dólar brinca de esconde-esconde, o imposto de renda caça trabalhadores, aviões caem e deportados vagam sem destino.

E a vida? A vida segue, tropeçando entre as manchetes, entre a esperança e a ironia, entre o fogo simbólico e o fogo real que consome injustiças.

Até a próxima dança!

Parabéns Aracaju !