CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 06 de março de 2025
As veredas das notícias nas vestes do dia 06 de março de 2025
As Manchetes do 6º dia de março de 2025
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Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O dia amanheceu como um livro em chamas, com as manchetes queimando as páginas da realidade. No Bairro Grageru, o fogo, sempre voraz, decidiu visitar um apartamento, fazendo do lar um altar de cinzas. Os bombeiros correram para conter a fúria das chamas, mas, como sempre, o incêndio das desigualdades continua ardendo pelas ruas, consumindo esperanças que não cabem no orçamento emergencial.
E por falar em labaredas, a OAB-SE viu sua lista para desembargador arder na Justiça. Aurélio Belém puxou o freio de mão do pleito, e agora o tribunal parece um navio à deriva, esperando que as ondas da burocracia o levem para algum porto seguro.
Enquanto isso, na Câmara de Vereadores de Aracaju, a democracia tropeçou no próprio cadarço. A votação sobre o veto ao transporte público foi adiada por falta de quórum. O povo pede passagem, mas os nobres edis parecem preferir um trânsito congestionado de interesses. Representantes sociais gritaram, mas, no teatro do poder, o silêncio é quem tem assento cativo.
No mundo digital, a Receita Federal decidiu que as chaves do PIX só pertencem aos justos e corretos – ou pelo menos àqueles que passaram na peneira do fisco. Quem tem pendências pode dar adeus às transações eletrônicas. O golpe pode até ficar mais difícil, mas as fraudes do mundo real seguem firmes, de terno e gravata, com CPF limpo e contas sujas.
Já em Sergipe, a Quaresma chegou e, com ela, a busca pelo peixe multiplicou-se como um milagre moderno. Mas, diferente dos tempos bíblicos, hoje o peixe é caro e não há multiplicação que alivie os bolsos dos fiéis consumidores. Enquanto isso, o Brasil decidiu levantar a ponte levadiça e exigir visto de turistas dos Estados Unidos, Canadá e Austrália. Nada mais justo, já que por anos fomos tratados como indesejados nesses territórios de “primeiro mundo”. Agora, o passaporte azul-canário exige reciprocidade.
E por falar em resistência, Fernanda Torres e Fernanda Montenegro receberam o diploma Bertha Lutz, provando que a arte, quando verdadeira, é um farol em tempos de tempestade. Em um país onde cultura é tratada como adereço, as duas atrizes mostram que “ainda estão aqui”, lembrando que talento e resistência são feitos do mesmo barro.
No campo da energia, as usinas eólicas e solares entraram na Justiça contra os cortes na geração. O governo busca soluções, mas o sol e o vento, que deveriam ser gratuitos, estão se tornando produtos de luxo. E adivinhem quem pagará essa conta? Sim, o consumidor, que já vê sua fatura elétrica brilhando mais que um letreiro de Las Vegas.
No rastro das tragédias, o acordo de reparação de Mariana agora segue os critérios do STF. A lama que desceu há anos continua cobrindo vidas e cidades, mas pelo menos o dinheiro das indenizações não poderá ser usado para pagar advogados estrangeiros. Que ironia: enquanto os rios foram mortos pelo lucro, a justiça agora quer nadar em águas límpidas.
Do outro lado do oceano, Trump, o velho maestro do caos, quer extinguir o Departamento de Educação dos Estados Unidos. Para ele, ensinar virou um problema local. Cada estado que se vire! Afinal, ignorância bem administrada sempre rendeu bons eleitores.
E no Vaticano, a voz do Papa ecoou frágil, como um sussurro entre tempestades. Internado há semanas, Francisco agradeceu as orações. Em tempos de guerra e insensatez, sua voz debilitada ainda é um dos poucos sons que convidam à paz.
Falando em conflitos, a União Europeia decidiu fortalecer seu arsenal. Enquanto discursos de paz enchem as cúpulas, os cofres financiam o rearmamento. Nada como preparar-se para a guerra enquanto se brada pela harmonia.
O dia 6 de março nos brindou com seu enredo de tragédias e farsas. A vida segue como um grande teatro, onde o palco principal é o noticiário e nós, meros espectadores, assistimos ao espetáculo do absurdo. Amanhã, novas cenas virão, e a comédia da existência seguirá seu curso, entre incêndios reais e metafóricos, entre vetos e votos, entre esperanças e ironias.
Que nos reste o riso – ainda que seja de nervoso.




