CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 04 de março de 2025

Giro de notícias da terça-feira de carnaval entre folias, entre tarifas e diplomacias, entre vidas que se vão e outras que resistem bravamente.

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 04 de março de 2025
Publicado em 05/03/2025 às 16:42

Notícias da terça- feira de carnaval

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Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


A vida, essa dançarina inconstante, ora nos leva para um baile de máscaras repleto de cores e alegria, ora nos arrasta para um salão escuro onde a tristeza reina absoluta. Hoje, a canção que toca no coração é de despedida: Gilvoneide Teles baixou as cortinas e encerrou seu espetáculo terreno. O câncer, esse maestro cruel que rege sinfonias de dor, venceu mais uma batalha. Mas se há justiça nos mistérios do universo, ela agora repousa em um camarote celestial, sendo acolhida por Deus com o calor de um abraço eterno. À João Roberto e sua família, que ficam com o eco da saudade, que as lembranças se transformem em poesia e fortaleçam o espírito. Nossos Sentimentos.

E enquanto o céu recebe uma nova estrela, a terra segue seu desfile insano. Em Aracaju, os bares transbordam de foliões em êxtase etílico, embalados pela ilusão de que a felicidade tem gosto de cerveja gelada e trio elétrico. Em Pirambu, o mar recebe de braços abertos os que buscam no Carnaval um refúgio para as agruras da vida. O batuque dos tambores disfarça as preocupações, ao menos até a Quarta-feira de Cinzas, quando a ressaca bate à porta com o boleto das realidades não pagas.

Do outro lado do oceano, um gringo desavisado que planejava pisar na terra do samba a partir de abril pode começar a contar suas moedinhas: o Brasil decidiu devolver o favor e cobrar o visto dos turistas norte-americanos. É a velha política da reciprocidade, ou, como diria a vó da roça, “quem dá, recebe; quem cobra, paga”. No jogo diplomático, as peças se movem num tabuleiro onde cada rei defende seu próprio castelo.

E por falar em tabuleiro geopolítico, o Brasil resolveu apostar suas fichas no Suriname para comandar a OEA, enquanto, do outro lado do Atlântico, assiste, com olhar pesaroso, à decisão de Netanyahu de barrar a entrada de ajuda humanitária em Gaza. “Deplorar” foi a palavra escolhida pelo Itamaraty, mas no coração de quem vê crianças famintas, a sensação é de um nó na garganta, daqueles que nem a mais forte das águas pode desatar.

Enquanto isso, Trump, o velho showman da política internacional, decidiu lançar um “tarifaço” sobre produtos brasileiros, como quem arremessa tomates em artistas de rua. O protecionismo norte-americano pode nos custar caro, mas, como sempre, o Brasil encontra um jeito de dançar conforme a música e já ensaia novos passos em direção à China e à Europa. O que não falta é plateia interessada nos nossos produtos – e nas nossas fraquezas.

E em Roma, a cidade eterna, onde a história se dobra sobre si mesma, o Papa Francisco teve uma noite tranquila após a tempestade de insuficiências respiratórias que ameaçou levá-lo para uma conversa antecipada com o Criador. O Vaticano garante que ele segue estável, e os fiéis espalhados pelo mundo mantêm suas preces em um coro de esperança. O pontífice, frágil, mas ainda em pé, é como um velho carvalho que resiste às rajadas do tempo, sustentando-se na fé de milhões.

E assim seguimos, entre dores e folias, entre tarifas e diplomacias, entre vidas que se vão e outras que resistem bravamente. A humanidade continua sua marcha errante, tropeçando nos próprios erros, mas sempre encontrando um jeito de seguir em frente – nem que seja na base da ironia e da esperança.