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A Alegria do Carnaval

A Alegria do Carnaval
Publicado em 03/03/2025 às 2:30

O sol se despedia lentamente no horizonte, tingindo o céu com pinceladas douradas e lilases, quando os primeiros acordes do samba ecoaram pelas ruas estreitas da cidade. Era Carnaval. Aquele momento mágico do ano em que as tristezas se despiam de suas máscaras e a felicidade reinava absoluta, desfilando como uma rainha majestosa.

No coração da festa, entre serpentinas coloridas e confetes que dançavam ao sabor do vento, estava Joana. Desde menina, ela sonhava em brilhar no Carnaval. Não apenas dançar, mas ser parte da alma vibrante da avenida. Seu coração batia no ritmo da bateria, e cada passo que ensaiava diante do espelho era um ensaio para o grande dia.

Este ano era especial. Joana havia sido escolhida para ser a porta-bandeira da escola de samba do bairro. Um sonho que seu pai, Seu Zé, nunca pôde realizar. Ele, um velho sambista de alma pura, sempre dizia que o Carnaval era mais do que uma festa. Era um ritual de resistência, um espetáculo de amor, um abraço coletivo onde todas as dores eram esquecidas por alguns dias.

Vestida com sua fantasia dourada, Joana adentrou a avenida como se atravessasse o próprio destino. O pavilhão tremulava em suas mãos, refletindo a luz dos holofotes e os aplausos da multidão. Cada movimento era poesia, cada sorriso era um verso no grande samba da vida.

Na arquibancada, Seu Zé assistia com os olhos marejados. Ele sabia que não era apenas um desfile, mas a concretização de um sonho que agora se tornava imortal. Joana rodopiava como uma estrela cadente, iluminando a passarela com sua presença. O tempo pareceu parar naquele instante.

E, quando a bateria alcançou seu auge, quando o suor se misturou às lágrimas de alegria, Joana sentiu algo indescritível: a alma do Carnaval. O Carnaval que era resistência, que era tradição, que era o grito de um povo que sabia transformar sua dor em festa, sua luta em alegria.

Quando os fogos iluminaram o céu ao final do desfile, Joana percebeu que nunca esteve sozinha naquela avenida. Seu Zé estava ali, em cada batida do tambor, em cada nota do cavaquinho, em cada palpite de seu coração.

Porque o Carnaval não era apenas um evento. Era a alma do Brasil pulsando. E, enquanto houvesse um batuque, um estandarte no ar e um coração que soubesse sambar, o Carnaval nunca morreria.

Autor: Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

03 de março de 2025

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