FÁBULA

O Cachorrinho e o Carnaval

O Cachorrinho e o Carnaval
Publicado em 02/03/2025 às 18:03

Era uma vez um cachorrinho chamado Pipoca, um vira-lata esperto, de pelo dourado e olhar travesso. Pipoca morava em uma pracinha onde todos o conheciam e lhe davam petiscos. Ele adorava correr entre as crianças, cochilar ao sol e, principalmente, farejar novidades. Mas havia uma época do ano que o deixava particularmente intrigado: o Carnaval.

Sempre que fevereiro chegava, a praça se transformava em um mar de cores e ritmos. Pessoas fantasiadas dançavam, tambores rufavam e confetes caíam do céu como se fosse uma chuva mágica. Pipoca, curioso como era, decidiu que naquele ano participaria da festa.

No primeiro dia de folia, ele viu um grupo de foliões vestidos de palhaços, com perucas coloridas e narizes vermelhos. Pipoca tentou imitá-los, equilibrando-se nas patas traseiras, mas acabou rolando pelo chão, arrancando risadas da multidão. Um homem de capa brilhante, vendo o entusiasmo do cachorrinho, pegou uma fita e fez um laço no seu pescoço, transformando-o no cão mais carnavalesco da praça.

Entusiasmado, Pipoca seguiu o bloco até o meio da cidade. No caminho, encontrou uma velha gata rabugenta chamada Dona Felícia. Ela observava tudo de longe, sentada no topo de um muro, abanando a cauda com desdém.

— Ora, ora, cachorrinho, para que tanta animação? Esse barulho todo só serve para confundir a cabeça e sujar as ruas de papel picado! — resmungou a gata.

Pipoca, ofegante de tanto correr, respondeu:

— Mas, Dona Felícia, o Carnaval é alegria! É o tempo de brincar, dançar e celebrar a vida! Veja quantas pessoas sorrindo! Até eu ganhei uma fantasia!

A gata suspirou e disse:

— Alegria é bom, mas dura pouco. Amanhã, tudo volta ao normal, e você verá que foi apenas um sonho passageiro.

Pipoca refletiu por um instante, mas logo viu um grupo de crianças tocando tamborins e esqueceu as palavras da gata. Pulou no meio da roda e dançou até o sol se pôr.

Quando a festa terminou, a cidade ficou silenciosa e os confetes coloridos se misturaram à poeira do chão. Pipoca voltou para sua pracinha, cansado, mas com o coração leve. Mesmo que o Carnaval tivesse acabado, ele sentia que algo dentro dele havia mudado: aprendeu que a alegria, mesmo passageira, tem o poder de iluminar os dias e aquecer o coração.

Moral da história: A felicidade pode ser breve como o Carnaval, mas quem aprende a dançar no meio da festa sempre encontrará motivos para celebrar a vida.

Autor: Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

02 de março de 2025

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