CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 27 de fevereiro de 2025

O Brasil é um grande bloco de Carnaval, mas quem puxa o trio?

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 27 de fevereiro de 2025
Publicado em 28/02/2025 às 6:47

As notícias do dia 27 de fevereiro de 2025

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Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O asfalto cedeu. Não só na Treze de Julho, mas na esperança de quem acreditava que o chão era firme. De repente, a cidade afunda em buracos que nem a SMTT consegue sinalizar. A engenharia, que já foi o orgulho do progresso, agora se especializa em abrir crateras. E assim seguimos, desviando do caos, como foliões tentando escapar da serpentina encharcada de suor.

Enquanto isso, na farmácia pública, a Justiça decidiu que apenas farmacêuticos podem entregar medicamentos controlados. Parece óbvio, mas, pelo visto, era tão comum encontrar analgésicos distribuídos como confete que foi preciso um empurrão judicial. Afinal, remédio nas mãos erradas pode virar veneno, mas orçamento nas mãos erradas… bem, isso a gente vê todo dia e ninguém bloqueia o acesso.

E por falar em acesso, a segurança pública de Sergipe vestiu sua fantasia de super-herói para garantir um Carnaval seguro. Ah, o Carnaval! Esse grande teatro onde o povo dança, mesmo sem música, e a polícia finge que tem efetivo suficiente para conter o bloco desgovernado da criminalidade. O plano de segurança já está em andamento. Resta saber se o bandido leu o roteiro ou se ele também vai improvisar.

Mas se tem algo que será rastreado com precisão quase cirúrgica, são as emendas parlamentares. O Tribunal de Contas da União quer saber onde foi parar o dinheiro, incluindo as famigeradas “emendas Pix”, que evaporam mais rápido que cerveja em bloco de rua. Vão criar uma ferramenta para mapear os caminhos do dinheiro público, mas duvido que ela tenha GPS suficiente para encontrar certos cofres. Quem sabe, no fim, o dinheiro reaparece no bolso de quem sempre ganha essa loteria política.

Enquanto isso, no litoral paulista, Lula e Tarcísio dançam juntos no baile da diplomacia. Lançaram o edital do Túnel Santos-Guarujá num clima amistoso. “Vontade política”, disse o presidente. Essa é uma das grandes diferenças entre o Presidente Lula e Bolsonaro . Lula pensa no povo e faz parceria, ajuda prefeitos e governadores opositores como Tarcísio o governador de São Paulo. Essa obra depois de 101 anos vai ser feita graças ao Presidente Lula.

Lá no alto, sobre o Rio de Janeiro, Cristo Redentor virou outdoor divino para pedir orações pela saúde do Papa Francisco. O pontífice, com sua pneumonia bilateral, enfrenta uma batalha que só o tempo dirá o desfecho. E a fé, que sempre foi a moeda mais forte do Vaticano, agora é convertida em projeções luminosas. Talvez, no fundo, a esperança também precise de um espetáculo para não desmoronar.

Mas o espetáculo político segue mundo afora. Trump, em seu estilo inconfundível de “xerife do planeta”, anunciou tarifas extras para China, México e Canadá. A justificativa? Drogas entrando nos EUA. Curioso como a solução sempre passa por taxas e nunca por reflexão. Fechar a fronteira ao comércio não impede que as drogas passem como foliões anônimos na multidão. Mas, claro, é mais fácil punir produtos do que encarar problemas estruturais.

Na Argentina, Milei resolveu brincar de imperador e nomeou juízes para a Suprema Corte por decreto. O Senado? Esqueceu no camarote VIP da democracia. A Human Rights Watch já classificou a manobra como um “ataque grave contra a independência da Justiça”. Mas será mesmo que a independência da Justiça ainda existe? Ou foi sequestrada e vendida no mercado negro da política?

E assim seguimos, entre buracos no asfalto e crateras na democracia, entre túneis que encurtam distâncias e muros que levantam barreiras, entre projeções divinas e sombras políticas. O Brasil segue sua marcha, um grande bloco de Carnaval onde todo mundo dança, mas ninguém sabe quem realmente puxa o trio elétrico.

E você? Vai sair no bloco da esperança ou no camarote do conformismo?