CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 15 de Fevereiro de 2025
Dia 15 de fevereiro entre orações silenciadas, reuniões diplomáticas, crimes que insistem em se repetir, apostas que viram golpes .
As páginas de notícias do dia 15 de Fevereiro de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No grande palco da vida, onde o roteiro é escrito à bala e revisado a cada explosão de manchete, a manhã se abriu em Nossa Senhora do Socorro com um ato de fúria e pólvora. Um homem caiu ferido porque a mãe rezou. Oremos, pois, para que os tempos não nos façam reféns de silêncios forçados. Já não basta a guerra das ruas? Teremos agora que medir palavras até nas preces?
Enquanto o chumbo trovejava em Nossa Senhora do Socorro -SE , a diplomacia se vestia de gala para anunciar que o Rio de Janeiro será a passarela do Brics. Entre um bueiro destampado e um arrastão na praia, autoridades celebram a reunião dos gigantes. O Cristo Redentor, com os braços abertos, parece perguntar: “E os pequenos, quem os abraça?”
Nos terminais de Aracaju, passageiros viajam na insegurança, sem bilhete de volta para a tranquilidade. No auditório da cidade, a urbanidade tenta se desenhar num Plano Diretor, enquanto as ruas escrevem suas próprias regras. O papel aceita tudo, mas os pés que pisam o chão sentem cada buraco, cada esquina sem luz, cada medo renovado a cada esquina.
Já no STF, entre togas e discursos, decidiu-se que a Lei da Anistia precisa de uma nova interpretação. Afinal, crimes da ditadura não prescrevem, mas as memórias das vítimas não podem ser eternamente esquecidas. Há feridas que o tempo não fecha, só arquiva. E um país que não enfrenta seus fantasmas é condenado a ser assombrado por eles.
Lá em Gaza, o xadrez da guerra continua, com reféns sendo soltos a conta-gotas, como se fossem peças trocadas num tabuleiro onde a vida vale menos do que um peão mal posicionado. E no interior de São Paulo, um avião caiu, levando consigo sonhos que não pousarão mais. Voar é um risco. Viver, às vezes, também.
Enquanto isso, em Buenos Aires, um jovem brasileiro desafia as estatísticas e alcança a final do Aberto de Tênis. No país vizinho, Milei brinca de especulação financeira e transforma uma criptomoeda em um castelo de areia. O vento soprou, e o castelo desmoronou, levando junto o dinheiro de quem confiou demais num presidente que tuíta antes de pensar.
Na Índia, o caos de um festival se tornou tragédia. Quinze mortos num tumulto, provando que, às vezes, a fé, quando empurrada, pode tropeçar e cair. E na Ucrânia, Zelensky pede um exército europeu, porque já entendeu que alianças têm prazo de validade. Entre juras de apoio e acordos esfriando, a guerra continua queimando.
Por fim, no Vaticano, o Papa Francisco respira com dificuldade. O mundo prende a respiração com ele. Aos 88 anos, o pontífice sente o peso do tempo e das dores que carrega não só no peito, mas na história. Que a febre baixe e que o velho Francisco continue nos ensinando que liderar é, antes de tudo, servir.
E assim seguimos, entre orações silenciadas, reuniões diplomáticas, crimes que insistem em se repetir, apostas que viram golpes e um mundo que tropeça entre esperanças e desastres. O espetáculo continua. O palco é o mesmo. Só as cenas mudam.




