CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 12 de fevereiro de 2025

Um mundo de faixas exclusivas e águas turbulentas

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 12 de fevereiro de 2025
Publicado em 13/02/2025 às 10:25

As veredas de notícias do dia 12 de fevereiro de 2025


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


No terminal da Rodoviária Nova, os ambulantes, que outrora eram peças vivas do tabuleiro urbano, foram varridos como poeira inconveniente. “Não pode vender aqui, não pode vender ali…” – parece que a regra é tornar invisível quem precisa sobreviver. Mas a Emsurb promete uma reunião! Ah, reuniões, essas maravilhosas sessões de exorcismo burocrático que nunca expulsam o verdadeiro problema. Enquanto isso, os camelôs caminham feito andarilhos sem pouso, equilibrando seus tabuleiros entre a fome e a esperança.

E por falar em fluxo, a Chesf abriu as comportas do Rio São Francisco para a procissão fluvial. Parece milagre: um santo precisa passar e, de repente, a água brota! O Velho Chico, que agoniza em tempos secos e clama por socorro quando lhe roubam a vida, recebe uma injeção de ânimo quando a fé se faz presente. Quem dera sua sobrevivência fosse levada tão a sério quanto os ritos religiosos, e não apenas uma miragem esporádica no deserto das prioridades públicas.

Em Aracaju, as faixas exclusivas para ônibus sofreram mudanças. O trânsito, essa grande ópera do caos, agora tem novos atos e personagens que precisarão dançar conforme a partitura da SMTT. O problema é que, no Brasil, muitas vezes, as regras parecem ter sido escritas por quem nunca pegou um ônibus às seis da manhã. O motorista particular do burocrata em seu carro preto certamente não tem esse problema.

Enquanto o trânsito se organiza, as escolas seguem desorganizadas. O número de profissionais de educação inclusiva é insuficiente na rede pública de Aracaju. Queremos um país acessível, mas esquecemos de investir nas chaves que abrem essas portas. O discurso da inclusão desfila elegante nos palanques, mas tropeça na realidade das salas de aula sem estrutura e dos professores que tentam multiplicar o impossível.

Por outro lado, quem acertou os 15 números na Lotofácil está, agora, tão raro quanto professor de apoio na escola pública. O prêmio é milionário, mas a sorte nunca parece sorrir para quem precisa. No Brasil, a vida parece um jogo de apostas, e os números premiados nunca estão nas mãos certas.

Eis que o TCU resolveu devolver os R$ 6 bilhões do Pé-de-meia! O dinheiro, antes sequestrado pela burocracia, retorna aos estudantes, que já estavam acostumados a sonhar com a verba e acordar com um “talvez no próximo semestre”. No Brasil, a educação sempre joga na loteria da incerteza.

Lá nos Estados Unidos, o Google e a Apple resolveram mudar o nome do Golfo do México para “Golfo da América”. Talvez seja um ensaio para um futuro onde o mundo se divide entre quem pode nomear as coisas e quem apenas assiste. Se os dinamarqueses quiserem comprar a Califórnia em resposta a Trump, que não se surpreendam se, um dia, acordarmos e descobrirmos que o nome do Brasil foi vendido a um bilionário qualquer e agora se chama “República do Agro-Tech”.

Falando nele, o canalha Trump, num surto de monarquia absolutista, decidiu que servidores públicos nos EUA precisam ser “fiéis” à sua política externa. Qualquer semelhança com práticas autoritárias ao longo da história não é mera coincidência. Enquanto isso, na Alemanha, a justiça fez sua parte e mandou para trás das grades o chantagista da família Schumacher. Parece que lá ainda se valoriza um pouco a ética. Diferente de outros lugares, onde a impunidade anda de limusine.

No Brasil, a FAB abateu um avião do tráfico que entrou no Brasil pelo céu venezuelano. Uma história de tiros e destroços, onde os pilotos do crime caíram na floresta e foram sepultados pela notícia. Enquanto o tráfico continuar sendo combatido a conta-gotas e a corrupção não for eliminada, sempre haverá outro avião pronto para decolar.

Por fim, o Banco Neon teve um vazamento de dados. O que não é novidade em um mundo onde até nossas vidas parecem estar em promoção na dark web. Enquanto os clientes tentam se proteger de golpes, os golpistas já estão preparando o próximo truque.

E assim seguimos, numa eterna gangorra de absurdos, onde ambulantes são desalojados enquanto bancos vazam dados, onde rios ganham vazão para santos mas secam para a população, onde políticos brincam de dono do mundo e cidadãos assistem a tudo, torcendo para que, no final, sobre ao menos uma faixa exclusiva… para a dignidade.