CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 11 de fevereiro de 2025

Caminhos tortos, chamas acesas e ninhos saqueados

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 11 de fevereiro de 2025
Publicado em 12/02/2025 às 1:16


As Manchetes do dia 11 de fevereiro de 2025


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Comecemos sob a luz sagrada de Nossa Senhora de Lourdes, que hoje ilumina Pirambu e seus fiéis com o mesmo fervor de uma vela que insiste em brilhar em meio ao vento. Enquanto os devotos elevavam suas preces, a Jornada Pedagógica de Japaratuba acendia outra chama: a da alfabetização e do letramento, esperança estampada no papel das novas gerações.

Do outro lado da moeda, dois irmãos, talvez órfãos de consciência, decidiram que um gato não era mais bem-vindo no roteiro de suas vidas e o abandonaram como se fosse um brinquedo velho largado num parque. O bichano, que só queria um lugar para espreguiçar-se ao sol, foi descartado como um papel de bala, mas, felizmente, a lei ronronou mais alto: abandonar é crime, e a Depama já afia as garras da justiça.

E por falar em crime, um idoso de 60 anos, talvez nostálgico de tempos em que a devastação não vinha com punição, decidiu saquear um ninho de tartarugas marinhas. Cento e onze ovos, que carregavam pequenas vidas ainda em gestação, foram arrancados do berço de areia. Como um velho pirata sem mapa, ele cavou seu próprio buraco legal e agora terá que encarar a maré da punição.

Mas não é só de natureza roubada que vive o Brasil. Em Capela, fraudes em licitação foram alvo da Polícia Federal, provando que, enquanto uns roubam ovos, outros desviam o ninho inteiro. Parece que a corrupção, assim como os vulcões, nunca se extingue de vez—só espera o momento certo para entrar em erupção.

Falando em erupções, o Kilauea, no Havaí, decidiu relembrar ao mundo que a terra também tem sua própria forma de botar para fora suas revoltas. Enquanto a lava escorre em tons de laranja e vermelho, aqui no Brasil os políticos tentam conter as chamas de suas próprias crises. Haddad e Alcolumbre deram as mãos para apagar o fogo econômico, defendendo um país onde divergências devem ser deixadas de lado. Mas será que essa fogueira das vaidades aceita extintor?

Enquanto isso, no cenário internacional, o Irã e os Estados Unidos resolveram brincar de fósforo perto de um barril de pólvora. As palavras inflamadas de Trump acenderam a faísca, e o Irã já ameaça responder com fogo. No tabuleiro da geopolítica, não há peões—somente reis e cavalos prontos para o xeque-mate da guerra.

Mas nem tudo é chama e desespero. A Câmara aprovou a Política Nacional de Enfrentamento ao HPV, um avanço que protege corpos e salva vidas. Se há algo que precisa ser extinto, não são apenas os vulcões descontrolados, mas também os vírus que silenciosamente corrompem a saúde da população.


E assim termina mais um dia em que o mundo gira entre fé e fraude, entre aprendizado e abandono, entre o calor do vulcão e o frio do descaso. Mas, como Nossa Senhora de Lourdes bem sabe, onde há fé, há esperança, e onde há esperança, sempre haverá um caminho de volta para o que é justo.