CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 07 de Fevereiro de 2025

Um mundo que ladra, mas não morde

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 07 de Fevereiro de 2025
Publicado em 08/02/2025 às 18:26

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Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


No teatro tragicômico da vida, a cortina se abriu para mais um dia de absurdos, ironias e paradoxos dignos de uma ópera bufa. O sol brilhou, os pássaros cantaram, mas em Lagarto, uma cadela grávida encontrou a morte em forma de lâmina. Um ventre que carregava vida foi atravessado pelo aço frio da crueldade humana. Se o mundo fosse um tribunal, o réu já estaria condenado pela plateia indignada, mas, como sempre, a Justiça caminha mais devagar que um jabuti sonolento em dia de calor.

A cidade, que deveria abrigar afetos, registrou em seu asfalto a brutalidade de quem não sabe o significado da palavra compaixão. “Quem tiver informações, disque 181”, brada o sistema. Mas e quem tem a certeza de que estamos falhando como sociedade, deve discar para onde?

Enquanto o sangue inocente de uma cadela escorria no chão, do outro lado do oceano, um córrego na Argentina resolveu protestar em vermelho, tingindo as águas com a suspeita de contaminação. “Parece sangue”, disseram os moradores. Mas não seria essa a cor da impunidade que corre nas veias de tantos sistemas apodrecidos?

E por falar em sistemas, o IFS inaugurou um Centro de Recondicionamento de Computadores. Tecnologia e sustentabilidade aplaudindo a civilização, enquanto, paradoxalmente, Sergipe luta para se livrar dos poucos lixões que ainda existem . É o velho dilema: queremos o futuro e vamos varrer os entulhos do passado.

No palco político, Trump e Biden brincam de “esconde-esconde” com segredos de Estado. Um ameaça revogar, o outro já revogou. A geopolítica virou um jardim de infância onde as birras substituíram as estratégias e a diplomacia se reduziu a um jogo de tabuleiro com peças quebradas.

Enquanto isso, no Brasil, Lula discursou sobre o crédito, garantindo que o povo não quer dólar, quer comida. A frase é de efeito, mas a fome não se mata com palavras. O real dança conforme a música da especulação e a mesa do trabalhador segue encolhendo mais rápido que a paciência de quem paga imposto.

E por falar em mesa, a cesta básica de Aracaju continua sendo a mais barata do país. É o tipo de estatística que rende manchete, mas não resolve a angústia de quem vê o salário evaporar antes do fim do mês. O Brasil é esse prato fundo onde uns saboreiam o filé, enquanto outros lambem o osso.

Na capital paulista, um avião caiu no meio da avenida. Mais uma tragédia alada para o noticiário. O céu, outrora símbolo de liberdade, tornou-se uma roleta russa. O Campo de Marte não viu um foguete de sonhos decolar, mas sim um pássaro de metal despencar, levando consigo vidas e histórias que jamais chegarão ao seu destino.

Por fim, o Verão Sergipe 2025 chega a Pirambu, levando música, esporte e festa. No mesmo Estado onde a cadela foi morta, onde a cesta básica é barata, mas a dignidade tem preço alto. É assim que seguimos: dançando sobre os escombros, cantando para abafar os gritos, e celebrando enquanto o fogo ainda não nos alcança.

O mundo ladra, mas não morde. E a vida segue, entre metáforas e tragédias, entre ironias e esperanças.


E então, quem se habilita a discar o número certo para denunciar o absurdo que nos cerca?