CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 07 de Fevereiro de 2025
Um mundo que ladra, mas não morde
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Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No teatro tragicômico da vida, a cortina se abriu para mais um dia de absurdos, ironias e paradoxos dignos de uma ópera bufa. O sol brilhou, os pássaros cantaram, mas em Lagarto, uma cadela grávida encontrou a morte em forma de lâmina. Um ventre que carregava vida foi atravessado pelo aço frio da crueldade humana. Se o mundo fosse um tribunal, o réu já estaria condenado pela plateia indignada, mas, como sempre, a Justiça caminha mais devagar que um jabuti sonolento em dia de calor.
A cidade, que deveria abrigar afetos, registrou em seu asfalto a brutalidade de quem não sabe o significado da palavra compaixão. “Quem tiver informações, disque 181”, brada o sistema. Mas e quem tem a certeza de que estamos falhando como sociedade, deve discar para onde?
Enquanto o sangue inocente de uma cadela escorria no chão, do outro lado do oceano, um córrego na Argentina resolveu protestar em vermelho, tingindo as águas com a suspeita de contaminação. “Parece sangue”, disseram os moradores. Mas não seria essa a cor da impunidade que corre nas veias de tantos sistemas apodrecidos?
E por falar em sistemas, o IFS inaugurou um Centro de Recondicionamento de Computadores. Tecnologia e sustentabilidade aplaudindo a civilização, enquanto, paradoxalmente, Sergipe luta para se livrar dos poucos lixões que ainda existem . É o velho dilema: queremos o futuro e vamos varrer os entulhos do passado.
No palco político, Trump e Biden brincam de “esconde-esconde” com segredos de Estado. Um ameaça revogar, o outro já revogou. A geopolítica virou um jardim de infância onde as birras substituíram as estratégias e a diplomacia se reduziu a um jogo de tabuleiro com peças quebradas.
Enquanto isso, no Brasil, Lula discursou sobre o crédito, garantindo que o povo não quer dólar, quer comida. A frase é de efeito, mas a fome não se mata com palavras. O real dança conforme a música da especulação e a mesa do trabalhador segue encolhendo mais rápido que a paciência de quem paga imposto.
E por falar em mesa, a cesta básica de Aracaju continua sendo a mais barata do país. É o tipo de estatística que rende manchete, mas não resolve a angústia de quem vê o salário evaporar antes do fim do mês. O Brasil é esse prato fundo onde uns saboreiam o filé, enquanto outros lambem o osso.
Na capital paulista, um avião caiu no meio da avenida. Mais uma tragédia alada para o noticiário. O céu, outrora símbolo de liberdade, tornou-se uma roleta russa. O Campo de Marte não viu um foguete de sonhos decolar, mas sim um pássaro de metal despencar, levando consigo vidas e histórias que jamais chegarão ao seu destino.
Por fim, o Verão Sergipe 2025 chega a Pirambu, levando música, esporte e festa. No mesmo Estado onde a cadela foi morta, onde a cesta básica é barata, mas a dignidade tem preço alto. É assim que seguimos: dançando sobre os escombros, cantando para abafar os gritos, e celebrando enquanto o fogo ainda não nos alcança.
O mundo ladra, mas não morde. E a vida segue, entre metáforas e tragédias, entre ironias e esperanças.
E então, quem se habilita a discar o número certo para denunciar o absurdo que nos cerca?




