CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 05 de Fevereiro de 2025

O Brasil como um picadeiro e o mundo como uma feira de horrores.

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 05 de Fevereiro de 2025
Publicado em 06/02/2025 às 16:16

Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


No grande circo chamado Brasil, o espetáculo do dia 5 de fevereiro de 2025 trouxe uma sequência de números de malabarismo, mágicas frustradas e palhaçadas sem graça. O picadeiro estava montado, os holofotes acessos e, no centro, um país que tenta se equilibrar na corda bamba enquanto a arquibancada – o povo – assiste, atônita, ao espetáculo do absurdo.

No primeiro ato, o ex-diretor do Hospital Cirurgia de Sergipe é condenado por lavagem de dinheiro. Lavagem essa que não foi feita com sabão, mas com um detergente invisível que transforma verba pública em luxo privado. Enquanto isso, a saúde segue enferma, entubada, esperando um milagre. O médico? O judiciário, que ora acerta a dose da justiça, ora esquece a prescrição e deixa os corruptos tomarem chá de sumiço.

Logo depois, entra em cena a Justiça de Sergipe suspendendo a contratação emergencial para a limpeza urbana de Aracaju. A sujeira da cidade, então, segue acumulando-se em calçadas, praças e corredores do poder. Há lixo visível nas ruas e invisível nos contratos, mas este último ninguém quer varrer. Se a corrupção fosse reciclável, talvez Sergipe já fosse autossustentável.

No meio do espetáculo, trabalhadores do setor automotivo fazem denúncias ao Ministério Público do Trabalho. A engrenagem do sistema emperrou e os operários tentam apertar os parafusos que garantem seus direitos. Enquanto isso, os donos da fábrica poliram suas máquinas e seguiram produzindo riquezas, blindados contra qualquer tipo de ferrugem social.

Os professores da rede estadual de Sergipe, por sua vez, saíram às ruas com suas reivindicações. De giz na mão e voz embargada, tentam ensinar à sociedade a velha lição: sem educação, não há futuro. Mas parece que o governo segue repetindo de ano, reprovado no quesito valorização docente.

No picadeiro federal, Lula anuncia mudanças no consignado do INSS, estendendo prazos e reduzindo parcelas para aposentados. A plateia aplaude, mas com certa desconfiança: será alívio ou só um analgésico temporário para a economia ? O tempo dirá se essa foi uma jogada social ou apenas um passe de mágica para adiar problemas.

Enquanto isso, na Bahia, a igreja que desabou em Salvador havia pedido vistoria ao IPHAN. O pedido foi feito na segunda, a vistoria seria na quinta, mas a tragédia não esperou o protocolo burocrático. O teto veio abaixo, levando consigo a fé de quem acreditava que a história e o patrimônio são prioridades. No Brasil, até os templos caem antes da fiscalização chegar.

No palco da justiça, o STF analisa a ADPF das Favelas, reconhecendo a violação de direitos humanos na segurança pública do Rio de Janeiro. A proposta é colocar câmeras em fardas e viaturas, mas, para os moradores, a sensação é de que as balas perdidas já possuem GPS. O cenário é o de sempre: o medo ronda os becos, os helicópteros sobrevoam como aves de rapina e a polícia tenta equilibrar a linha tênue entre proteção e opressão.

No circo global, o governo panamenho negou que os EUA terão passe livre pelo Canal do Panamá. O presidente do país se revoltou com as declarações de Washington, enquanto Trump defendeu que os americanos retomem o controle da passagem. Mais um episódio de “quem manda em quem”, como se o mundo fosse um tabuleiro de War jogado por bilionários.

E, para fechar o espetáculo, um fato que poderia ser ficção científica: besouros gigantes foram encontrados escondidos em guloseimas japonesas nos EUA. O que parecia ser um simples carregamento de chocolates e batatas fritas escondia insetos de 13 centímetros. Se existisse um Oscar para contrabando exótico, esse certamente levaria a estatueta.

O espetáculo termina, as cortinas se fecham e o público sai do teatro da vida, ainda tentando digerir a montanha-russa de emoções do dia. Amanhã, um novo show começa, com novos personagens, novas tramas e, provavelmente, as mesmas velhas tragédias e comédias. Afinal, no Brasil e no mundo, a vida imita o absurdo.