CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 04 de Fevereiro de 2025
Catracas, Licitações e Trump: O Circo do Dia 04 de Fevereiro de 2025
As Manchetes do 4° dia de Fevereiro de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O Brasil amanheceu como um grande teatro a céu aberto. No palco principal, um espetáculo tragicômico se desenrolava na capital sergipana: uma licitação emergencial para a limpeza urbana virou uma verdadeira faxina de confusão. O roteiro foi digno de um filme de suspense barato: um envelope abriu-se antes da hora, revelando não só uma proposta, mas o quão frágeis são os bastidores de certas contratações. O cenário? Um auditório onde empresas, como urubus sobre carniça, disputavam a oportunidade de varrer a cidade – e, quem sabe, alguns cofres públicos.
Enquanto isso, nas ruas de Aracaju, o ronco dos motores das motocicletas ecoava como um novo mantra urbano. O mercado de motos acelerou logo no começo do ano, confirmando que, se o brasileiro não pode voar com passagens aéreas caras, pelo menos pode desviar dos buracos em duas rodas. Em meio a essa nova corrida maluca, um novo modelo de catraca alta entrou em fase de testes, dificultando ainda mais o trânsito dos passageiros de ônibus. Parece que o objetivo não é apenas controlar a evasão de tarifas, mas transformar cada embarque num episódio de “Ninja Warrior” em pleno transporte público.
Enquanto alguns esbanjam velocidade e controle de acesso, outros finalmente viram a água correr no seco: o Terminal Pesqueiro de Aracaju, que há anos esperava por uma reforma, teve suas obras iniciadas após inúmeras cobranças. Até os peixes do mercado municipal duvidavam que esse dia chegaria. E, veja só, chegou! O Brasil tem dessas: demora, enrola, mas um dia acontece – só não sabemos quando termina.
E falando em alimentação, um novo cardápio foi anunciado para os estudantes brasileiros: menos ultraprocessados na merenda escolar. O governo decidiu reduzir para 15% o limite desses alimentos, prometendo um futuro onde a nutrição nas escolas seja mais saudável. Mas a pergunta que não quer calar é: o que será do fiel companheiro do estudante brasileiro, o pão com salsicha? Terá ele seu fim decretado pelo Ministério da Educação? As crianças, coitadas, correm o risco de trocar o salgado recheado de conservantes por algo que não precise de um químico industrial para se manter de pé. Quem diria, hein? Educação e saúde juntas no mesmo prato.
Já em Brasília, o ministro Flávio Dino resolveu encarnar um Dom Quixote tupiniquim e saiu cobrando transparência sobre as emendas parlamentares. Convocou Executivo e Legislativo para um bate-papo esclarecedor, como se dinheiro público fosse algo que se prestasse a explicações. No Brasil, transparência política é quase uma entidade mística: todos falam dela, mas ninguém a viu de perto.
No mercado financeiro, o dólar escorregou para R$ 5,77, provando que até a moeda americana sente os impactos do humor do Brasil. E o Ibovespa, por sua vez, tropeçou e caiu para 0,65%.
Mas nada supera a cena internacional, onde Donald Trump, em seu segundo ato como presidente, resolveu decretar que os EUA serão os novos “proprietários” da Faixa de Gaza. Com a naturalidade de quem compra uma fazenda no Texas, Trump disse que “as mesmas pessoas” (palestinos) não deveriam reconstruir a região. É impressionante como alguns líderes ainda acreditam que o mundo é um grande tabuleiro de War, onde territórios podem ser tomados ao bel-prazer.
E, como cereja do bolo dessa ópera desgovernada, a China resolveu dar um chega-pra-lá no Google, abrindo uma investigação antimonopólio contra a gigante americana. Pequim já tinha declarado guerra comercial aos EUA, mas agora parece querer mostrar que, no jogo do capitalismo de Estado, ninguém é grande demais para cair.
Entre licitações suspeitas, ônibus mais difíceis de entrar, merenda escolar repaginada e líderes mundiais brincando de senhores feudais, seguimos nós, brasileiros, como meros espectadores dessa peça tragicômica. O Brasil, afinal, não é para amadores. E no fim do dia, a única certeza que temos é que amanhã o espetáculo continua – talvez com um novo protagonista, mas sempre com o mesmo enredo.




