CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 24 de janeiro de 2025

O GIRO DAS NOTÍCIAS DO DIA 24 DE JANEIRO DE 2025

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 24 de janeiro de 2025
Publicado em 25/01/2025 às 9:05

As notícias do dia 24 de janeiro de 2025


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O Brasil, este país tropical abençoado por Deus e cheio de contradições, amanheceu com um quebra-cabeça de paradoxos nesta sexta-feira.

No asfalto escaldante de Aracaju, um condutor ferido simbolizou o embate eterno entre homem e máquina. O poste, esse guardião imóvel, foi abatido como um soldado desavisado. Enquanto isso, em Pacatuba, o Verão Sergipe brinda a alegria, uma festa de sol e sal, esquecendo por instantes que o Nordeste dança entre o calor da celebração e o peso da desigualdade.

Falando em calor, a Amazônia segue em chamas. Sim, o desmatamento caiu, mas a degradação da floresta subiu vertiginosamente. Como um paciente que diminui a febre, mas vê o corpo inteiro arder, a floresta grita em silêncio. E enquanto a Amazônia arde, um iceberg colossais ameaça uma ilha e seus habitantes gelados. Pinguins e focas, indefesos perante o destino, são como as vítimas esquecidas do mundo natural, que dança ao ritmo de nossa ganância.

Longe do gelo e do fogo, o Brasil viu o SUS bater recordes de cirurgias eletivas. Contudo, a fila de espera permanece. É como uma maratona sem linha de chegada: cada avanço parece insuficiente diante da multidão que ainda aguarda. E enquanto isso, Lula sonha grande ao tentar trazer os Jogos Pan-Americanos para Rio-Niterói. A esperança se equilibra em um trapézio: será um salto rumo ao progresso ou mais um espetáculo com ingressos caros para poucos?

No mundo das leis e dos direitos, os advogados com deficiência reivindicam sua vez. Querem ser desembargadores, quebrar tetos de vidro, mostrar que a Justiça não pode se dar ao luxo de ser cega para a inclusão.

Por outro lado, o racismo religioso permanece como um veneno sutil, corroendo o coração das religiões de matriz africana. A cada ataque, a cada palavra de ódio, um pedaço de nossa alma coletiva se desfaz.

E como se não bastassem os desajustes domésticos, olhemos para além-mar: Israel expulsa a ONU de Jerusalém, como quem despeja um inquilino indesejado. No cenário internacional, o bebê golfinho preso numa boia nos lembra que nem tudo está perdido. A liberdade dele, alcançada com a ajuda humana, é um alento para nossos dias caóticos.

Entre quedas de postes, esperanças geladas e florestas degradadas, o Brasil e o mundo segue em frente. Rimos, choramos, dançamos e lutamos. No fundo, somos como aquele bebê golfinho: presos pelas circunstâncias, mas ainda acreditando que um dia daremos nosso salto espetacular.