CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 21 de janeiro de 2025
O Giro de notícias do 21º dia de janeiro de 2025
As notícias do dia 21 de janeiro de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No palco árido de Sergipe, o sertão encena mais uma vez o drama de uma terra que chora pela falta de suas lágrimas. A seca, essa velha dama de vestidos de poeira, dança desajeitada pelo Alto Sertão, Agreste e Baixo São Francisco, estendendo seu manto de gravidade sobre terras que já aprenderam a lidar com a escassez, mas não com a indiferença. Quem nunca ouviu o grito abafado de um rio seco, que atire a primeira pedra no leito de Japaratuba.
Enquanto isso, nas praias douradas de verão, os bares e restaurantes cantam um samba de alegria com as contratações em alta. É como se o calor humano servisse de contraponto ao calor cruel do solo rachado. A economia brinda com copos gelados, mas quem brindará com o agricultor, cuja safra murcha antes de nascer?
E no compasso da ironia, os radares brotam nas rodovias de Sergipe como cactos modernos, prontos para fiscalizar quem corre mais rápido que a justiça. Quem sabe, esses olhos eletrônicos vejam além do asfalto e capturem a paisagem de uma sociedade que pisa fundo nas desigualdades.
Em São Paulo, um muro ergue-se como símbolo daquilo que tanto nos divide: a incapacidade de encarar os problemas de frente. A Cracolândia, em sua crueza devastadora, virou um teatro de absurdos. “Não foi para segregar”, diz o prefeito, enquanto o concreto sussurra o contrário. A política, mais uma vez, é uma obra de arte inacabada, onde o pincel falha em desenhar dignidade.
No Pará, a COP 30 prepara-se para ser o palco de um discurso sustentável, mas com aeroportos executivos que exalam hipocrisia no combustível de seus jatinhos. Fala-se em proteger o planeta, mas não sem antes garantir um pouso confortável para as elites. Ironia é assistir à ecologia viajando em classe executiva.
E no cenário global, o diplomata André Corrêa do Lago assume a presidência da COP 30, como quem tenta plantar uma árvore em meio ao concreto. Desde 2001, ele trabalha por um futuro mais verde, mas será que suas sementes sobreviverão ao cinismo político?
Enquanto isso, em Sergipe, os idosos, que deveriam ser protegidos como baús de memórias vivas, estão sendo esquecidos em campanhas de vacinação que perdem o fôlego. O abandono da cobertura vacinal é um crime silencioso, onde o vírus dança livremente entre aqueles que deveriam estar em paz.
Na tragédia do nosso cotidiano, as metáforas se misturam como tintas numa tela caótica. A seca não é apenas a falta de água; é a falta de humanidade. Os muros não são apenas de concreto; são de preconceito. E a sustentabilidade, tantas vezes proclamada, parece um pássaro preso em uma gaiola dourada.
Que o sertão não seja apenas palco de sofrimento, mas também de resistência. Que os bares e restaurantes sirvam, além de comida, esperança. E que os muros, sejam eles de São Paulo ou da indiferença, venham abaixo, deixando passar a brisa de um futuro mais digno.
E assim seguimos, entre lágrimas, risos e reflexões, porque viver, como bem sabemos, é escrever crônicas com as tintas da luta e os pincéis da esperança.




