CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 13 de janeiro de 2025

Giro de notícias entre tempestades e interdições, vetos e sanções, lágrimas e ironias.

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 13 de janeiro de 2025
Publicado em 13/01/2025 às 21:34

As notícias do dia 13 de janeiro de 2025


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


As chuvas que insistem em lavar Sergipe neste janeiro parecem querer arrancar do solo não apenas as raízes, mas também as memórias. O céu choroso, cúmplice das tragédias, despeja suas lágrimas como se tentasse expiar os pecados de uma humanidade que insiste em cavar sua própria ruína. Capela, um lugar de fé, agora é palco de despedidas. A enxurrada não levou apenas corpos, levou histórias, sonhos e futuros, arrastando também a rodovia da esperança, que, como tantas outras, cedeu ao peso do descaso.

Enquanto isso, no palco de Aracaju, os cofres públicos, que deveriam ser o alicerce, estão em pausa. Os pagamentos suspensos lembram um carro quebrado na estrada: parado, enquanto a tempestade cai. Talvez seja o momento de revisar não apenas os contratos, mas as prioridades. Será que o preço de uma vida humana não vale mais do que qualquer tabela de mercado?

A ponte sobre o Rio Vaza-Barris, interditada, é metáfora de um país que parece viver entre desconexões. As estradas que deveriam unir, dividem; os rios que deveriam nutrir, destroem. O comitê de crise promete construir pontes, mas quem construirá as pontes entre promessas e realizações?

Do lado de fora, a ironia caminha de mãos dadas com o poder. Em Brasília, Bolsonaro, que já teve passaporte para sonhos de grandeza, agora pede permissão para cruzar fronteiras e participar de uma posse que parece roteiro de um teatro do absurdo. Se não fosse trágico, seria cômico: um líder que um dia prometeu “Deus acima de tudo”, agora se depara com o peso das próprias mentiras, como um Ícaro caindo diante do sol da verdade.

E Lula, em sua caneta de sanção e veto, escreve capítulos de uma história onde o cidadão é o protagonista esquecido. De um lado, um veto à esperança de equiparar a luta contra o diabetes tipo 1 à batalha das deficiências. De outro, uma sanção que limita o uso de celulares nas escolas. Será que a tecnologia é mesmo o vilão, ou apenas um reflexo de um sistema educacional que há muito carece de conexão com a realidade dos jovens?

Do outro lado do mundo, no Líbano, a dança do poder continua, e Nawaf Salam surge como o novo maestro de uma orquestra desafinada. A política, como sempre, é um jogo de cadeiras onde os interesses individuais esmagam os coletivos. Já nos Estados Unidos, um brasileiro ganha um título infame: terrorista dos Estados Unidos acusado de liderar um grupo supremacista branco . Mais uma cicatriz na imagem de um país que, vez ou outra, esquece que somos mais do que estereótipos.

E, assim, seguimos entre tempestades e interdições, vetos e sanções, lágrimas e ironias. As notícias de hoje são um espelho que reflete o caos de uma sociedade que se recusa a aprender com os próprios erros. Talvez seja hora de construir não apenas pontes de concreto, mas pontes de humanidade. Afinal, enquanto o céu chora, resta-nos o desafio de não nos afogarmos em nossa própria indiferença.