CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de janeiro 2025

O alucinante giro de notícias do sábado 11º dia de janeiro de 2024

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de janeiro 2025
Publicado em 12/01/2025 às 15:50

Crônica do Professor Antônio Glauber: O Sábado das Cabacinhas, das Chuvas e do Vulcão


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Era para ser um sábado de festa em Japaratuba. As cabacinhas, essas metáforas esculpidas de alegria, esperavam ansiosas pela dança nos becos da memória cultural. Mas a chuva, esse visitante que não pede licença, decidiu fazer sua própria coreografia. Enquanto o céu desabava como lágrimas de um verão inquieto, as ruas se transformavam em rios e a festa ficou órfã de seu brilho noturno.

A enxurrada, feito um poema trágico, arrastou veículos e esperanças na SE-438, ceifando vidas e espalhando um luto silencioso. Capela, minha vizinha, chorava junto ao céu, enquanto os bombeiros, verdadeiros heróis anônimos, lutavam contra a correnteza do destino.

No meio desse caos, o calor – um vilão que se veste de invisibilidade – mostrava seus dentes. Sergipe, mais quente e inflamável, viu o fogo dançar em suas matas como se o inferno tivesse assinado o roteiro do ano anterior. O balanço foi claro: mais incêndios, mais salvamentos, mais uma natureza exausta.

Enquanto isso, no Tocantins, o calor se disfarçou de milagre. Uma mulher foi ao hospital pensando que seu mal-estar era obra do sol, mas saiu de lá com um bebê nos braços. A vida, sempre sarcástica, encontrou uma maneira de nascer em meio ao sufoco.

E lá fora, no mundo que gira com suas ironias de escala global, um vulcão na Indonésia explodiu, cuspindo fumaça e poeira como se estivesse protestando contra os desmandos dos humanos. Talvez seja um sinal para a Alemanha, onde líderes de extrema direita ensaiam fechar fronteiras e devolver sonhos alheios ao esquecimento.

Já Bolsonaro, sempre um personagem controverso, pediu passagem para assistir à posse de Trump nos Estados Unidos. Moraes, o guardião da chave judicial, exigiu o convite formal. É como se a diplomacia tivesse virado uma novela de auditório.

Enquanto isso, na terra das mega-senas acumuladas, sonhadores faziam cálculos imaginários com os R$ 34 milhões. É curioso como, em um país onde a chuva pode destruir vidas em um canto, ela também pode simbolizar a esperança de riqueza em outro.

E no Vaticano, o Papa Francisco recebia a Medalha da Liberdade, o maior símbolo civil dos Estados Unidos, em um gesto que misturava política e fé. Biden o chamou de “único”, e quem pode discordar? Em um mundo que se aquece por dentro e por fora, a mensagem de Francisco é como um gole de água fria em um dia de deserto.

Por fim, deixo aqui minha prece: que as cabacinhas, guardadas no silêncio de Japaratuba, encontrem uma nova dança quando o sol voltar a sorrir. Que o vulcão adormeça, as águas acalmem e as fronteiras se abram para abraçar, não para excluir. Que o calor ceda lugar ao frescor da compaixão e que, entre as cinzas do sábado, floresçam as sementes de um domingo melhor.

Caro leitor, que sua jornada seja leve, mesmo quando o mundo parecer pesar demais.