CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 10 de janeiro de 2025

O giro de notícias do dia 10 janeiro de 2025

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 10 de janeiro de 2025
Publicado em 11/01/2025 às 7:24

As notícias do dia 10 de janeiro de 2025


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O palco da humanidade, mais uma vez, ergueu sua cortina nesta sexta-feira, trazendo um espetáculo onde tragédia, comédia e a ironia do destino disputam os holofotes. E como num circo cósmico, os atores da vida real não decepcionaram.

No picadeiro de Aracaju, o ex-prefeito Edvaldo Nogueira bradou como um mágico a defender seus truques: “Não há superfaturamento nos partos!”, afirmou, como se o público não percebesse a cartola vazia e a fumaça de ilusionismo político. A saúde pública virou uma peça tragicômica, onde o “sistema” é sempre o vilão e o povo, o eterno espectador pagando caro pelo ingresso.

Enquanto isso, nos céus de Sergipe, nuvens carregadas e ventos fortes desenham um balé de caos. A Defesa Civil, em tom grave, anuncia: “Preparem-se!”. A natureza, cansada de ser coadjuvante, resolveu mostrar que também sabe protagonizar o drama. Quem precisa de Hollywood quando os ventos sussurram tempestades e as ruas alagam de desesperança?

E por falar em contas que não fecham, a Prefeitura de Aracaju confessou seu pecado: R$ 200 milhões em dívidas. É como se um barco à deriva insistisse em furar mais o casco, enquanto os marinheiros discutem de quem foi a culpa. O povo, claro, continua remando com baldes para retirar a água, mesmo sabendo que o naufrágio é iminente.

Já em Brasília, Lula e seu amor declarado pelo Corinthians geraram burburinho ao destinar recursos para o estádio alvinegro, mas juraram de pés juntos que o Pix, esse mensageiro da modernidade, está a salvo de taxas. O presidente do Banco Central, por sua vez, explicou a inflação estourada como um cozinheiro que culpa o forno pela torta que queimou. “Foi a economia aquecida, o câmbio e o clima extremo!”, justificou, enquanto o cidadão sente o peso da carestia na feira.

Nas aldeias Kaingangs, no Paraná, o conflito pós-eleitoral transformou-se num retrato doloroso da polarização que não poupa nem as florestas. Casas queimadas, vidas em frangalhos e 200 desabrigados são o preço pago pela falta de diálogo e pelo excesso de orgulho. A divisão é o vírus mais letal do século XXI, e ele não poupa cultura, tradição ou território.

Do outro lado da fronteira, na Venezuela, Maduro toma posse e mantém o poder, enquanto as portas para o Brasil foram cerradas como num espetáculo de cortinas que se fecham antes do ato final. E enquanto Lula e Macron pedem diálogo, o povo venezuelano, exausto, continua a assistir a um jogo de xadrez político onde são apenas peões sacrificáveis.

E nos Estados Unidos, as gigantes tecnológicas fizeram fila para doar milhões à posse de Trump. Ironia ou pragmatismo? Num mundo onde algoritmos decidem eleições e CEOs viram reis, parece que até a democracia está à venda – e o preço é salgado.

Enquanto isso, nós, espectadores do grande teatro da vida, seguimos presos entre risos amargos e lágrimas reprimidas. Que as metáforas nos protejam e a poesia nos salve, porque a realidade, essa velha senhora cínica, não parece disposta a oferecer redenção tão cedo.

E assim se encerra mais um dia, com um céu carregado de chuvas e um coração carregado de reflexões. Afinal, o que nos resta senão a esperança teimosa de que, entre as ironias e os absurdos, ainda encontramos motivos para acreditar no espetáculo da vida?