CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 9 de janeiro de 2025

O giro de notícias do dia 09 de janeiro de 2025

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 9 de janeiro de 2025
Publicado em 10/01/2025 às 12:30

As notícias do dia 9 de janeiro de 2025


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


No palco do dia 9 de janeiro de 2025, a vida desfilou com sua costumeira tragicomédia, unindo lágrimas, ironias e fogueiras de vaidades. A plateia, entre perplexa e resignada, assistiu ao desfile de personagens que, por vezes, pareciam saídos de um romance de Gabriel García Márquez ou de uma peça de Nelson Rodrigues.

Comecemos pela interdição da Avenida Beira Mar, que, como uma artéria bloqueada, promete uma cirurgia urbana com nome pomposo: Complexo Viário Senadora Maria do Carmo. Enquanto os tapumes sobem, ergue-se também a expectativa de um trânsito que, talvez, flua como um rio que nunca existiu. Ironia das ironias: a pressa dos cidadãos será contida pelas promessas de um progresso que caminha com a velocidade de uma tartaruga em férias.

Na galeria dos absurdos, a viúva que trocou o luto pelo lucro, sendo indiciada por um crime que cheira a novela policial. A Justiça pede que as grades sejam reforçadas, enquanto a moralidade, essa velha senhora cansada, observa do canto da sala, perguntando-se como o coração humano pode ser tão sombrio.

Já no universo econômico, o PIX, o cartão e a Receita Federal dançam uma quadrilha fiscal. Cada transferência vira uma lupa para o governo, que agora quer desvendar o mistério das rendas autônomas. Ser autônomo no Brasil, caro leitor, é como ser um equilibrista: ao menor deslize, cai-se no abismo do carnê-leão ou nas garras de um CNPJ burocrático.

Enquanto isso, no Palácio do Planalto, Lula revisita a galeria dos ex-presidentes e sugere mudanças na narrativa. Afinal, cada governo quer reescrever a história como se fosse o autor de um épico inquestionável. Ao mesmo tempo, sanciona a lei que limita o uso de celulares nas escolas, como se o silêncio digital fosse resolver o caos educacional. A escola, esse templo de saber, luta para sobreviver entre reformas políticas e cortes orçamentários, enquanto os professores tentam ser heróis sem capa e com giz.

No cenário internacional, María Corina Machado reaparece em um ato contra Maduro, provando que na Venezuela o drama político é tão quente quanto o sol do Caribe. Já no Líbano, Joseph Aoun assume a presidência como um general que promete respeitar a trégua com Israel. Trégua, essa palavra frágil, tão rara quanto um dia de paz nas manchetes globais.

Mas a tragédia não dá trégua. Na Califórnia, o fogo dança como uma fera selvagem, destruindo casas de luxo e deixando rastros de cinzas onde antes havia sonhos. O “inferno perfeito”, como chamou a prefeita de Los Angeles, é o lembrete de que a natureza, quando provocada, responde sem piedade.

Por fim, o funeral de Jimmy Carter reúne líderes políticos dos EUA em um momento que parece um paradoxo. Trump, Biden e Obama juntos, mas distantes, como atores que dividem o mesmo palco, mas interpretam papéis opostos. Carter, o pacificador, descansa enquanto o mundo segue em sua guerra diária de egos, poder e perdas.

E assim termina o dia, com o tempo como testemunha e nós, meros mortais, tentando compreender essa tragicomédia chamada vida. As notícias, como peças de um mosaico, formam um quadro que é belo e grotesco, cômico e trágico, esperançoso e desesperador.

Que venha o próximo ato.