CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do domingo dia 29 de dezembro de 2024

Um domingão de notícias

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do domingo dia 29 de dezembro de 2024
Publicado em 30/12/2024 às 10:26

As notícias do último domingo de 2024


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Era uma manhã tão abafada que parecia que o sol, em vez de brilhar, cozinhava os pensamentos. As manchetes do dia escorriam como suor pela testa de um trabalhador sob o peso do mundo. Lá estava ela, a Deso, nossa velha e cansada senhora da água, vendida como quem entrega a última joia da família. E, como em um baile de máscaras, os prefeitos em fim de mandato dançavam com os milhões, cada passo um convite à gastança. O futuro? Bem, o futuro é aquele filho que ninguém quis criar, mas que um dia cobrará a herança desperdiçada.

Enquanto isso, em Nossa Senhora do Socorro, um incêndio iluminava a noite, um reflexo incômodo de como lidamos com nossas chamas internas e externas. Não houve feridos, dizem os bombeiros, mas quem apagará as queimaduras invisíveis do descaso? Mais uma metáfora viva de um estado que arde lentamente, sem que ninguém perceba o cheiro de fumaça.

Já na UFS, as portas do conhecimento se abriam mais uma vez, com vagas para mais de 5.600 almas ávidas por um futuro melhor. E pensar que a educação, tantas vezes desprezada, é o único remédio contra os incêndios sociais que insistimos em ignorar. Enquanto uns torram milhões, outros disputam um lugar ao sol do saber. Contradições que formam o mosaico do nosso Brasil.

No tabuleiro do poder, Lula, o sobrevivente político, lamentava a morte de Jimmy Carter, aquele que, em tempos de ditadura, ousou plantar flores no jardim de um país regado a sangue. E enquanto Carter partia, deixando um legado de paz, governadores nordestinos travavam uma batalha por segurança, defendendo o uso da força federal em tempos de conflitos internos. O Nordeste, sempre uma terra de resistência, mostrando que o velho cordel da sobrevivência nunca sai de moda.

Mas, como sempre, o grande espetáculo do dia era a política. O ministro Flávio Dino, em um ato digno de tragédia grega, liberava parte das emendas da saúde enquanto cobrava explicações sobre outras tão nebulosas quanto os incêndios sergipanos. Uma dança entre o necessário e o moral, entre a fome e o banquete.

E lá fora, na Coreia do Sul, um presidente enfrentava o peso de suas decisões como quem encara o espelho pela primeira vez. Lei marcial, impeachment e um pedido de prisão inédito – ingredientes de um drama que faria Shakespeare aplaudir de pé.

Por fim, enquanto as manchetes fechavam o cerco, uma nova lei sobre o salário mínimo era sancionada, com reajustes limitados a 2,5% acima da inflação. O futuro parecia menos promissor que um mar de contas vencidas, e o trabalhador, esse eterno náufrago, seguia remando contra a maré.

Assim se fechava mais uma página do livro de um dia qualquer, em que água, fogo e poder moldavam as metáforas do nosso destino. Que venham os próximos capítulos, pois, no teatro da vida, o espetáculo nunca tem intervalo.