CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de dezembro de 2024
O Giro de notícias do dia 21 de dezembro de 2024.
Entre Tragédias e Ironias: Um Brasil de Contrastes
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O Brasil amanheceu mais uma vez com sua estrada do destino pintada de sangue. O trágico acidente em Teófilo Otoni, que ceifou 41 vidas e feriu 11 pessoas, trouxe um silêncio de pesar sobre o país. A BR-116, artéria pulsante da nação, se transforma em palco de tragédias quase tão previsíveis quanto as promessas não cumpridas de infraestrutura. A colisão entre o ônibus, a carreta com sua pedra monumental de granito e um carro parece uma metáfora cruel: o peso das negligências estruturais esmagando vidas no cotidiano brasileiro.
Enquanto isso, em Rosário do Catete, a morte de um suspeito em confronto com a polícia entra para o compêndio diário de violência que já não choca, mas apenas ocupa espaço no rodapé das notícias. Vivemos tempos em que a vida vale tanto quanto a atenção dedicada a um link de rodapé.
Por outro lado, o Instituto Federal de Sergipe, como um tímido raio de esperança, abre inscrições para cursos técnicos integrados ao ensino médio. É o futuro batendo à porta com tímidos recursos e, ao que parece, sem orçamento aprovado para entrar. Sem a lei orçamentária de 2025, começaremos o ano no improviso. Não há nada mais brasileiro do que o “jeitinho” para enfrentar o caos fiscal.
Em São Paulo, a vergonha esportiva deu as caras no gramado da Brasil Ladies Cup. Jogadoras do River Plate foram detidas por injúria racial, e o time foi banido do torneio por dois anos. A bola, que deveria simbolizar união, virou arma de desunião, e o futebol feminino – que luta tanto para ser reconhecido – carrega agora um escândalo em seu currículo. Que se faça justiça e que o racismo seja expulso do campo, do banco e das arquibancadas.
No meio disso tudo, turistas em Aracaju passeiam pelos mercados centrais e se encantam com artigos regionais. Um refúgio de cores e sabores que contrasta com a dureza das notícias. É curioso como o cheiro de tapioca e o brilho de um artesanato conseguem nos arrancar por instantes da realidade.
E, lá fora, a Venezuela grita por socorro enquanto ex-chefes de Estado denunciam invasões armadas em sua embaixada na Argentina. No palco internacional, o teatro da violência continua com novos atos, enquanto as plateias globais se acostumam à barbárie.
Entre os destroços na estrada, as barreiras do orçamento, as batalhas esportivas e os apelos internacionais, resta a reflexão de como o Brasil – e o mundo – tem sido uma colcha de retalhos de esperanças frágeis e tragédias contundentes. A cada dia, o destino parece costurar nossas vidas com linhas de ironia e nós de crítica. Que tenhamos força para desatar esses nós e seguir em frente, ainda que o caminho esteja marcado por pedras – de granito ou não.




