CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de dezembro de 2024
O jogo das águas, da esperança e das contradições
As manchetes do dia 18 de dezembro de 2024
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No vasto tabuleiro da vida, as peças se movem de acordo com interesses, tragédias e esperanças. No dia 18 de dezembro de 2024, Sergipe foi palco de um intrincado jogo de xadrez. A primeira jogada: a concessão parcial da Deso, um xeque de R$ 4,5 bilhões arrematados pela Iguá Saneamento. Um movimento que promete mais eficiência, mas que, nos bastidores, traz o cheiro salgado da dúvida: água para todos ou lucro para poucos?
Enquanto isso, o palco para o Réveillon foi manchado por uma tragédia. Um trabalhador, na linha de frente da alegria alheia, caiu antes de o show começar. A morte o levou, deixando o espetáculo com uma sombra que nem as luzes de Ano Novo podem apagar. Será que as festas justificam vidas em risco? Ou estamos dançando sobre o sacrifício de quem mal conhecemos?
No mesmo tabuleiro, a comercialização de gás volta a aquecer as indústrias sergipanas. O Hub Sergipe, como um mago, conjura esperanças para o mercado local. Mas em um mundo de tantas promessas, será que essa magia vai alcançar quem realmente precisa ou será apenas mais um truque para os grandes?
A realidade, às vezes, parece um roteiro absurdo. Uma mulher usou o próprio filho como ferramenta para entrar com drogas em um presídio. Um ato que grita o desespero de uma sociedade desigual. Quem será o verdadeiro culpado? A mãe? O sistema? Ou todos nós, espectadores apáticos?
Enquanto isso, fake news não descansam nem no fim do ano. Uma mentira sobre Galípolo sacudiu o dólar e mostrou que as palavras podem ser tão devastadoras quanto uma crise econômica. A desinformação é um peão que pode virar rainha no jogo da manipulação.
Entre uma jogada e outra, surge uma luz no tabuleiro: a Câmara e o Senado avançam no jogo da sustentabilidade. Um fundo para projetos verdes e a limitação do uso de celulares nas escolas são movimentos que prometem um xeque-mate ao descaso ambiental e educacional. Mas será que essas medidas são só um belo cavalo em um tabuleiro que nunca avança?
No plano internacional, a Rússia move seus bombardeiros como quem joga dominó com peças nucleares, e os Estados Unidos respondem com discursos afiados. Um jogo perigoso que deixa o mundo na iminência de uma explosão. Em outro tabuleiro, o Facebook, em silêncio ensurdecedor, restringe o acesso a notícias de Gaza, mostrando que até na era digital as narrativas são armas.
E lá vem Trump, no tabuleiro jurídico, processando jornais por pesquisas erradas. Uma jogada que parece mais um blefe do que uma estratégia, mas que reafirma sua habilidade de transformar qualquer erro em palco.
No fim, o tabuleiro da humanidade continua desafiador. Entre concessões, tragédias, promessas e conflitos, seguimos como peões tentando entender se há um final digno nesse jogo. Talvez, como na vida, o xadrez não se trate apenas de vencer, mas de aprender com cada movimento — mesmo aqueles que nos deixam em xeque.




