CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 13 de dezembro de 2024, sexta-feira 13

O giro de notícias do 13º dia de dezembro de 2024

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 13 de dezembro de 2024, sexta-feira 13
Publicado em 14/12/2024 às 16:21

Notícias da Sexta-Feira 13



Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE



Era uma sexta-feira 13, o calendário conspurcado pela mística das tragédias, e as manchetes do dia pareciam ter saído diretamente de um roteiro de humor ácido e tragédia poética. A realidade, essa grande ironista, decidiu brincar com os nossos sentidos, fazendo o absurdo parecer rotina.

Na Barra dos Coqueiros, um carro oficial virou palco de uma comédia de erros. Dois homens flagrados com drogas no veículo da Casa Lar! É como se um anjo protetor da infância tivesse sido flagrado jogando cartas marcadas no cassino do destino. A prefeitura, em nota de contorcionismos verbais, garantiu que o veículo já repousa na garagem, como um guerreiro cansado que volta para casa após perder a batalha. Ah, os caminhos tortuosos do poder, onde a moralidade parece ter dado carona para a conveniência.

Enquanto isso, em Aracaju, Emília Corrêa seguia montando seu tabuleiro político para 2025. A prefeita eleita anunciou seus novos jogadores: Elaine Oliveira, guardiã do Procon, e Thyago Silva, estrategista do orçamento. O xadrez da política municipal ganha peças que prometem muito, mas será que o tabuleiro resistirá ao peso das expectativas? Ou será que, como tantas vezes, as promessas se transformarão em meros peões na batalha contra o desânimo popular?

E, enquanto nossos políticos rearranjam o tabuleiro, o presidente Lula, caminha no hospital, com a serenidade de um sábio que sabe que a luta é maior que qualquer cirurgia. “Firme e forte”, enquanto o Brasil continua cambaleando entre apostas no Bolsa Família e apostas nos bets. A AGU admitia ao STF que não há como impedir que o auxílio vire moeda em roletas virtuais. Que país é esse, onde o pão do pobre pode virar fichas de um cassino digital? A ética aqui dança com a tragédia, numa coreografia ensaiada ao som de hipocrisias institucionais.

No Brasil do escândalo crônico, Carla Zambelli, a musa das fake news, estava prestes a perder o palco da política. O TRE-SP já formava maioria para cassá-la, num ato que parecia tão óbvio quanto atrasado. Mas, em sua narrativa particular, Zambelli afirmava que ainda há esperança. Esperança de quê? De prolongar a novela, claro! Afinal, no Brasil, até o drama político é dividido em capítulos com “próximos episódios imperdíveis”.

E lá fora, a realidade se curvava ao absurdo com igual intensidade. A Argentina, como boa personagem de um tango triste, denunciava a prisão de seu oficial na Venezuela, como se a diplomacia fosse um jogo de tabuleiro onde sempre falta uma peça. Já no Chile, um terremoto sacudiu as entranhas da terra, lembrando aos chilenos que, enquanto nossos dramas são fabricados, a natureza segue seu roteiro inabalável.

E assim, fechamos a cortina dessa sexta-feira 13, um dia onde o mundo dançou entre a tragédia e a farsa, provando que o absurdo não é privilégio da ficção. É a vida, com sua ironia mordaz, convidando-nos a rir para não chorar. E nós, meros espectadores, aplaudimos, mesmo quando a peça parece não ter fim.