CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 28 de novembro de 2024
"Brasil em Equilíbrio: Entre Usinas Renascentes, Bolsas de Dúvidas e o Peso do Lixo Permanente"
“O Brasil e o mundo em Chamas: Crônica de uma Quinta-Feira Entre o Caos e a Esperança”
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Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
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A quinta-feira começou como um roteiro de tragédia grega, onde as chamas do palco são reais e o cenário, feito de crises, faz o público esquecer que um dia houve comédia.
A usina termelétrica de Sergipe, ressuscitada como um dragão adormecido, voltou a cuspir fogo para salvar o Nordeste de um colapso energético. Ironia das ironias, enquanto o progresso caminha a passos de tartaruga mancando, o atraso dá saltos olímpicos. A cada centelha que ilumina as casas, um suspiro ambiental escapa pela chaminé, lembrando que o preço do conforto é pago com a moeda da destruição.
Por falar em moeda, o dólar ultrapassou os R$ 6, tornando-se um pássaro de ouro inalcançável. A cada voo mais alto, os brasileiros observam do chão, com seus reais minguados, tentando entender por que o sonho de viajar ao exterior virou uma miragem. Enquanto isso, o Ibovespa despenca, arrastando os investidores como uma avalanche, e o trabalhador comum segue com a ilusão de que a queda não o afeta, quando na verdade o atinge pelas margens dos preços nas prateleiras.
No balcão das políticas sociais, o Bolsa Família ganhou tempero de desconfiança, com a obrigatoriedade da biometria e cadastros mais rigorosos. O governo, mais uma vez, veste a máscara do controle, como se a pobreza fosse uma escolha deliberada e não uma consequência da desigualdade estrutural. É o retrato de um país que desconfia dos necessitados enquanto entrega suas riquezas ao capital estrangeiro, como na venda da mina de Pitinga à China, em mais um capítulo da novela Brasil: Entregas a Domicílio.
Enquanto isso, a Mega-Sena acumulada em R$ 67 milhõesdá ao povo um fiapo de esperança. Uma chance mínima, mas suficiente para alimentar sonhos de fuga do caos. Quem sabe, no próximo sorteio, alguém compre o bilhete premiado e, de quebra, a fantasia de que a fortuna pode consertar um sistema falido.
Já na política internacional, a Venezuela de Maduro continua sua encenação de autoritarismo, cortando água e comida na embaixada sob custódia brasileira. O mundo assiste a essa peça grotesca, onde a diplomacia se tornou refém de disputas mesquinhas. Enquanto isso, na Síria, jihadistas e tropas de Assad dançam a coreografia da tragédia, onde o sangue é o protagonista e as vítimas, apenas figurantes esquecidos pela plateia mundial.
No palco doméstico, os lixões resistem, como cicatrizes abertas que teimam em não cicatrizar. O Brasil, que tanto fala em futuro sustentável, tropeça nos entulhos do presente. A coleta seletiva, promessa de uma modernidade limpa, é apenas uma miragem em meio ao deserto de descaso.
E o tenente-coronel preso por suposta participação em planos golpistas dá o tom final dessa ópera bufa. Mais um personagem numa história onde a palavra “democracia” vira refém de discursos contraditórios, e o senso comum, perdido em meio ao jogo de narrativas.
Entre usinas ressuscitadas, bolsas acumuladas, dólares inalcançáveis e lixões permanentes, o Brasil segue seu caminho sinuoso, como um trapezista sem rede, equilibrando-se entre o caos e a esperança. E nós, espectadores de um espetáculo tão surreal quanto doloroso, seguimos aplaudindo ou vaiando, dependendo do ângulo de visão — ou do preço do ingresso.




